Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013
Olá a todas :)
Inicialmente, sempre que pronunciava a palavra estágio, a ansiedade e nervosismo apoderavam-se de mim. O facto de ser uma turma do primeiro ano desde o início nos preocupou porque (geralmente) as crianças não sabem ler nem escrever e sempre estivemos cientes que a tarefa seria de uma enorme responsabilidade. Ensinar uma criança a ler e escrever para mim é um ato de coragem na medida em que os professores tentam encontrar as melhores estratégias para tais aquisições, estratégias estas, que devem ser bem planeadas e ajustadas à turma que têm em mãos. Sendo assim, um bom leitor, falante e aquele que é capaz de se exprimir bem através da escrita, tem o seu ponto de partida já na educação pré-escolar mas essencialmente no 1º ciclo.
A relação de cumplicidade que se cria entre professora-aluno constrói-se ao longo do tempo e o curto período de estágio que temos não nos permite tudo isso mas gostaria de alguma forma marcar a vida destas crianças e que, olhando para trás, pensem que as estagiárias que os acompanharam no início “eram fixes, divertidas”. (passo a expressão). Não podemos ter medo de ser divertidas com eles porque uma atitude mais sisuda não marca a vida de ninguém. As crianças necessitam de sorrisos, de “cor”, de alegria e boa disposição. Atualmente é isso que temos em mente quando iniciamos cada intervenção e temos vindo a comprovar que resulta. As crianças estão mais próximas de nós, sentem que somos realmente as professoras delas e que podem dizer o que pensam mesmo que pareça despropositado. Tentamos nunca inibi-las para que não percam a sua capacidade de questionamento e visão crítica dos factos.
Numa aula o brincar pode estar presente e no semestre anterior o nosso foco foi esse. Quando bem planeado e justificado, o brincar é um grande potenciador de aprendizagem e enriquecimento pessoal. Perante isto, nas semanas que se seguiram, o jogo foi o mecanismo utilizado. Através de toda a ludicidade própria do jogo fomos capazes de planificar uma aula mais dinâmica, alegre, com uma postura mais descontraída. É comum ouvirmos dizer que com a prática as pessoas aprendem mais facilmente, e optámos precisamente por essa via. Não há nada melhor do que experienciar/praticar algo. As aulas expositivas são importantes, mas quando as faixas etárias são menores, este método deixa de fazer sentido porque as crianças aprendem por imitação e experimentação. Quando o contrário acontece, os níveis de implicação e bem-estar estão muito baixos porque falta o elemento motivador.
O meu desejo é fazer o melhor trabalho possível e transmitir às crianças tudo aquilo que sei e que elas me transmitam tudo aquilo que sabem. Tudo é um dar e receber, e as crianças têm tanto para nos ensinar, sobretudo a espontaneidade para que não sejamos tão formatados e sérios.
Espero que continuem com o vosso ótimo tarbalho e que de alguma forma vos tenha ajudado com esta minha reflexão :)
Beijinhos
Joana
Olá Joana :)
Obrigada por partilhares esta tua reflexão connosco! Falas em questões muito pertinentes e que nos permitem pensar.
O que referes relativamente ao ensino de uma turma de 1.º ano, concordo plenamente contigo. De facto, considero que o professor ao ensinar este ano de escolaridade tem à sua responsabilidade um enorme desafio. Isto porque, para além da exigência que é ensinar crianças a ler e a escrever, tem que lidar com as questões de transição e adaptação das crianças ao primeiro ciclo. Por isto, acho que seria importante que todas nós tivéssemos a oportunidade de estagiar em turmas de 1.º ano, dada a sua complexidade e dinâmica, completamente diferentes aos seguintes anos. Concordas comigo?
Realmente quando existe cumplicidade entre professor-aluno, o trabalho torna-se muito mais fácil, gratificante e permite uma partilha muito mais aberta entre aluno e professor.
Segundo Portugal (2009), o adulto (profissional de educação) tem a tarefa de envolver ou implicar as crianças nas atividades, procurando compreender o que realmente as mobiliza, quais as suas questões, o que realmente é importante para elas. É ainda fundamental que o adulto se coloque na perspetiva da criança, mobilizando na relação dimensões como a empatia e intuição, criando condições de ensino efetivamente conducentes a aprendizagens. Este papel em que o adulto, em conjunto com a criança, cria uma zona de desenvolvimento próximo e garante aprendizagens, requer a mais alta competência do educador.
Quando referes que "através de toda a ludicidade própria do jogo fomos capazes de planificar uma aula mais dinâmica, alegre, com uma postura mais descontraída. É comum ouvirmos dizer que com a prática as pessoas aprendem mais facilmente, e optámos precisamente por essa via. Não há nada melhor do que experienciar/praticar algo.", concordo perfeitamente contigo. No outro semestre, quando estávamos a estagiar numa turma de 3.º ano, também recorremos várias vezes ao jogo, como a Carolina já explicou. Ao recorrermos a este método, as crianças implicavam-se muito mais e, ao mesmo tempo aprendiam com gosto. Também o facto de a nossa turma ser muito competitiva, o jogo, tornou-se numa ferramenta que potencializava as aprendizagens, já que queriam todos ganhar e, assim esforçavam-se para tal.
Continuação de um bom trabalho,
Ana Resende
Referência bibliográfica:
Portugal, G. (2009). Desenvolvimento e aprendizagem na infância; A educação das crianças dos 0 aos 12 anos. Lisboa: Conselho Nacional de Educação.
Olá Ana :)
Concordo plenamente contigo. Acho que todas deveríamos ter a oportunidade de estagiar em turmas do primeiro ano porque considero-o um ano crucial na vida de uma criança. É o primeiro contacto que têm com a escola e com todas as aquisições que vão aprendendo ao longo dos anos. Vigotski (2001a, p.333 citado por Pasqualini, 2010, p.173), afirma que "o bom ensino é aquele que conduz o desenvolvimento, atuando sobre aquilo que ainda não está formado na criança: “o ensino deve fazer o desenvolvimento avançar”. Ao entrarem para o primeiro ano, as crianças transportam consigo uma enorme bagagem de conhecimentos que se irão desenvolver na escola. Cabe ao professor ser mediador dessas aprendizagens e conduzi-las a melhor forma.
Por isso seria importante tivéssemos esta oportunidade mas entendo que seria um pouco complicado.
Beijinhos e bom trabalho!
Joana
Referência bibliográfica:
- Pasqualini, J. C. (2010). O papel do professor e do ensino na educação infantil: a perspectiva de Vigotski, (p. 173). São Paulo: Unesp.
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