Olá meninas J
Na reflexão realizada sobre a fase I questionei-me relativamente à importância da observação antes de intervirmos no contexto de ação. Para responder a essa minha questão, consultei Postic e Ketele (2009) que nos afirmam que a observação “ […] é um processo cuja função primeira e imediata é coletar informação sobre o objeto que se tem em consideração" (p. 17) e ainda Máximo-Esteves (2008) que acrescenta que a observação […] permite o conhecimento direto dos fenómenos tal como eles acontecem num determinado contexto” (p. 87). Deste modo, a observação realizada destinou-se à observação do contexto de ação com o intuito de o conhecer e caraterizar, possibilitando a escolha de estratégias de ensino mais adequadas ao grupo com os quais iriamos desenvolver experiências de prática pedagógica e o projeto de intervenção e de investigação.
Desta forma, apresentar-vos-ei algumas das aprendizagens realizadas ao longo da observação que me beneficiarão em futuras intervenções. Assim, começarei por referir a importância das interações educador-aluno.
Segundo Cadima, Leal e Cancela (2011) “ […] relações positivas e próximas entre as crianças e os [educadores] tendem a promover (…) atitudes mais favoráveis relativamente à escola, capacidade de iniciativa e de cooperação (…) ” (p.18). Apesar de esta afirmação ser mais dirigida para contextos de 1º Ciclo do Ensino Básico, considero que o mesmo ocorre em contexto de educação de infância. Não concordam?
O que verifiquei durante a observação foi que mesmo as crianças que chegavam ao contexto com um baixo nível de bem-estar, pouco tempo depois irradiavam vitalidade e tranquilidade, sendo que esta mudança de postura ocorria devido à intervenção da educadora que de imediato fazia com que estas se sentissem escutadas e valorizadas.
Outra aprendizagem que ocorreu durante o período de observação refere-se à importância da organização do grupo. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (ME, 1997) existem instrumentos que podem ser mobilizados para a organização do grupo com o intuito de facilitar a tomada de consciência de pertença a um grupo e o respeito pelos outros. No contexto em questão foi possível observar que a organização do grupo é realizada através de instrumentos facilitadores da organização e tomada de consciência da pertença em grupo, como o quadro de presenças e de tarefas que promovem a aprendizagem da vida democrática, tendo sempre em consideração as vivências das crianças. No vosso contexto também são utilizados instrumentos facilitadores da organização e tomada de consciência de pertença a um grupo?
A organização do tempo foi outra aprendizagem realizada. No contexto foi possível observar que este é planeado entre a educadora e as crianças, sendo que este planeamento em conjunto permite que as crianças prevejam e possam gerir o seu tempo de forma adequada e independente. Esta organização vai ao encontro de Oliveira - Formosinho, Andrade e Gambôa (2009) quando referem que o tempo deve ser organizado através de uma rotina diária respeitadora dos ritmos das crianças e estruturada de acordo com o bem-estar e as aprendizagens das crianças.
Desta forma, considero fundamental manter as rotinas das crianças, uma vez que estas estão direcionadas para o desenvolvimento de diversas capacidades que permitem que a criança assuma um papel ativo no seu processo de aprendizagem. E vocês têm a mesma opinião?
Referi estes três pontos como aprendizagens, pois permitiu-me comparar o que a literatura refere sobre estes aspetos com a observação realizada, verificando a importância dos tópicos anteriormente assinalados.
Beijinho e continuação de um bom trabalho J
Até ao próximo post ou comentário!
Márcia Oliveira.
Bibliografia consultada:
Cadima, Leal & Cancela. (2011). Interacções professor-aluno nas salas de aula no 1.º CEB: Indicadores de qualidade. Revista Portuguesa de Educação, Vol.24 (1), 7-34.
Máximo-Esteves, L. (2008). Visão Panorâmica da Investigação-Acção. Porto: Porto Editora.
Ministério da Educação. (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Departamento da Educação Básica.
Postic, M., & Ketele, J. M. (2000). Observar las Situaciones Educativas. Madrid: Narcea Ediciones.