Tendo em conta que estamos numa posição em que devemos refletir acerca de tudo na nossa prática e vamos desenvolver um projeto de investigação-ação no âmbito do ensino pré-escolar e 1ºCEB, partilho com vocês algumas ideias em que tenho andado a pensar, procurando fundamentá-las com autores que de certeza já tiveram oportunidade de ler.
Acho que é extrema importância que o educador/professor adote uma atitude crítica e reflexiva sobre os seus próprios métodos/estratégias de ensino. Com isto quero dizer que o professor deve auto questionar-se com o intuito de procurar melhorar as suas competências e excluir os aspetos negativos da sua atividade, tendo sempre em mente o sucesso escolar dos alunos. Um professor é profissional quando investiga a sua forma/método de ensino. Como referencia Stenhouse citado por Alarcão (2001), “o desenvolvimento curricular de alta qualidade, efectivo, depende da capacidade dos professores adoptarem uma atitude de investigação perante o seu próprio ensino” (p. 23).
Segundo o mesmo autor “…a concepção actual de currículo e de gestão curricular reclama que o professor seja não um mero executor de currículos previamente definidos ao milímetro, mas um decisor, um gestor em situação real e um intérprete crítico de orientações globais” (p. 21). Realço esta afirmação, pois estou inteiramente de acordo com o autor, uma vez que encaro o currículo como um dispositivo mediador. O professor/educador deve ser um construtor do currículo, encarando-o não como um receituário, mas como um instrumento sobre o qual deve refletir e adaptar consoante as necessidades e interesses do grupo, da comunidade, etc…
Para Isabel Alarcão, (2001) “Ser professor investigador é ser capaz de se organizar para perante uma situação problemática, se questionar intencional e sistematicamente com vista à sua compreensão e posterior solução” (p. 25). Nesse sentido, surge-me a questão “Porque fazemos investigação?” Para melhorar o nosso conhecimento e o dos outros; para compreender melhor o pensamento educativo; para diagnosticar e ajudar a resolver problemas (de uma prática, de uma organização…); para agir mais adequadamente; e essencialmente para transformar sabendo o porquê.
A investigação tem como principal objetivo recolher dados, trata-los, interpretá-los e apresenta-los. Para isso, os professores recorrem preferencialmente a experiências em contexto de sala de aula adotando maioritariamente, registos escritos, análises e comentários do que é observado.
Para terminar, Isabel Alarcão (2001) procura esclarecer o conceito de professor-investigador através da ligação entre quatro vetores, nomeadamente, qualidade da educação, investigação, desenvolvimento profissional e institucional e inovação. Importa referir que os vetores referenciados têm cada um a sua importância e nenhum deles é indispensável, uma vez que todos se encontram interligados. No entanto, deveremos tomar como ponto principal a qualidade da educação, sendo que a mesma não se faz sem investigação e, consequentemente, desenvolvimento profissional e institucional levando portanto à inovação, constituindo assim um ciclo “vicioso”.
Alarcão, I. (2001). Professor-investigador. Que sentido? Que formação?. In Bártolo Campus (Org.) Formação profissional de professores no ensino superior (pp. 21-30). Porto: Porto Editora.