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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013
Reflexão acerca da primeira fase de intervenção e da segunda fase de intervenções intencionalizadas

            O contexto em que estou inserida é a EB1 de São Bernardo nº2, numa turma de 3.º ano de escolaridade. A turma é composta por vinte e cinco alunos, com idades compreendidas entre os sete e os oito anos de idade, sendo que treze são do sexo masculino e doze do sexo feminino. Dos vinte e cinco alunos, três integraram a turma este ano pela primeira vez, tendo vindo de outros estabelecimentos de ensino.

            A fase de observação foi crucial para preparar as futuras intervenções, permitindo-me refletir acerca das práticas e estratégias da docente cooperante, as suas relações com a turma, as aprendizagens e as dificuldades dos alunos, de forma a planificar as aulas para melhor os conduzir à aprendizagem dos conteúdos, de acordo com as suas capacidades e necessidades.

No decorrer das observações um dos aspetos que destaco são as estratégias adotadas pela docente para explicar os conteúdos, que me cativaram bastante e com as quais me identifico. Considero que a professora ao explicar aos alunos a origem de novos conceitos, como por exemplo nacionalidade, que surge de nação, ou seja, país, torna o conceito mais facilmente compreendido e memorizado. Frequentemente, utiliza imagens para exemplificar novos conceitos, permitindo aos alunos a criação de memórias visuais. Para concluir as matérias é comum recorrer à sua esquematização e resumo, que na minha opinião é fundamental para que os alunos adquiram a noção dos conteúdos mais importantes e desde cedo, adotem métodos de estudo que virão a ser úteis mais tarde. Além do que foi atrás mencionado, apercebi-me que a professora costuma não só abordar os temas e a matéria dos manuais, como introduz algumas curiosidades e cultura geral sobre a temática. Por vezes, estas curiosidades geram algumas questões pertinentes por parte dos alunos, o que demonstra o seu interesse e motivação na aprendizagem. Assim, pretendo sempre que possível e quando oportuno pôr em prática estas estratégias.

            No ensino, e principalmente nestas idades, as aulas nem sempre correm conforme planeadas, quero com isto dizer, que por vezes surgem questões ou situações inesperadas. Regra geral, as crianças são bastante curiosas e anseiam o conhecimento, e o professor deve ter consciência que este conhecimento não pode ser negado, quanto muito poderá ser moderado em virtude do tempo disponível e da complexidade deste conhecimento, o que por vezes leva a uma necessária adaptação da planificação prevista para a aula.

            É visível a existência de uma boa relação entre docente e alunos, baseada no respeito, confiança e afeto, o que torna a aprendizagem mais significativa e prazerosa para ambos. O facto de a professora conhecer a história familiar de cada aluno e manter uma boa relação com os encarregados de educação, são fatores que lhe permitem saber especificamente como lidar com cada aluno, valorizando assim, o ambiente de sala de aula. Os encarregados de educação têm consciência da importância dos seus papéis, tentando desempenha-los da melhor forma, apoiando os educandos nos trabalhos de casa, retribuindo as comunicações feitas pela professora e participando ativamente nas reuniões mensais com a mesma. Esta presença ativa na vida escolar dos seus educandos pode refletir-se no aproveitamento escolar e no comportamento dos mesmos.

            Outro aspeto que considero bastante pertinente é o projeto bilingue que está a ser desenvolvido nesta turma desde o 1.º ano de escolaridade, em que as aulas de estudo do meio são inteiramente lecionadas em inglês, o que na minha opinião, para além de proporcionar às crianças um contacto com a língua de comunicação internacional, deixa-as motivadas, interessadas e com algumas bases para a sua aprendizagem no segundo ciclo, promovendo ao mesmo tempo a unidade na diversidade linguística. Neste contexto penso que poderei ter repercussões positivas no projeto Histórias do mundo: à descoberta de outras línguas e culturas que irei desenvolver, na medida em que as crianças apresentam uma atitude positiva face ao inglês e podem vir a demonstrar curiosidade por outras línguas.

Relativamente à segunda fase penso que a minha primeira intervenção correu melhor do que a segunda devido à tipologia das atividades adotadas. O facto de na área de português ter recorrido a uma história para introduzir um novo conteúdo cativou a atenção das crianças, uma vez que estas demonstraram-se empenhadas durante a realização do exercício, o que se refletiu nos resultados. Na primeira sessão do projeto de intervenção e investigação, as crianças demonstraram que é importante falar várias línguas e mostraram interesse na aprendizagem de novas línguas. Considero que o interesse demonstrado pelas crianças é um bom presságio para o sucesso do projeto a desenvolver.       

           Relativamente à segunda fase penso que a minha primeira intervenção correu melhor do que a segunda devido à tipologia das atividades adotadas. O facto de na área de português ter recorrido a uma história para introduzir um novo conteúdo cativou a atenção das crianças, uma vez que estas demonstraram-se empenhadas durante a realização do exercício, o que se refletiu nos resultados. Na primeira sessão do projeto de intervenção e investigação, as crianças demonstraram que é importante falar várias línguas e mostraram interesse na aprendizagem de novas línguas. Considero que o interesse demonstrado pelas crianças é um bom presságio para o sucesso do projeto a desenvolver. 

            Na segunda intervenção, a aula tornou-se mais parada e monótona, o que na minha opinião se deveu à realização de duas fichas seguidas, apesar de serem de áreas diferentes, deixou as crianças desmotivadas e agitadas, causando-me algumas dificuldades em impor a minha autoridade. Outro aspeto que considero menos positivo, foi a minha mobilidade dentro da sala de aula, uma vez que deveria ter circulado mais pela mesma.

           

 

 

 



publicado por fabianamabrantes às 19:29

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De carolina-dias a 25 de Outubro de 2013 às 13:22
Viva :) gostei do teu post, pois fala de pontos importantes aos quais dão para trocar ideias entre todas.
Tens três alunos novos na turma, tiveste conhecimento de como foi realizada a integração desses alunos na turma? Ou até mesmo na escola? Seria interessante saber de que forma isso aconteceu, pois quando formos professoras o mesmo pode-nos acontecer e sabermos como lidar com essas situações é caminho andando para uma melhor integração das crianças, que são novas num espaço, num ambiente, etc.
Pelo que descreveste parece-me que a professora adota apenas o manual, ou seja, não cria os próprios recursos, também só tens que te reger pelo manual nas tuas intervenções? Ou criar as tuas próprias bases? Eu digo isto, porque no semestre passado estagiei no 3ºano e a professora adotava o manual para ensinar os alunos mas quando eramos nós a intervir tínhamos que criar todos os recursos. Por um lado isto era positivo porque nós sabíamos o que íamos ensinar e estávamos à-vontade com o material em questão, por outro era negativo pois depositávamos muito tempo nesta criação.
Falaste muito no papel da professora, tudo o que desenvolve, etc., mas gostava de ter lido como é que tu te estás a sentir, como preparas as aulas (pois já estamos em intervenção), como é a tua relação com os alunos, etc. Conhecer mais o teu lado e não tanto o da professora, pois os medos e as alegrias que senti no semestre passado podem ser as mesmas que tu venhas a sentir e não a da professora. Fica a dica ;)
É positivo estares numa turma em que podes facilmente implementar o teu projeto, pois estão familiarizadas com a língua estrangeira, boa sorte ;)
Em relação às fichas é normal as crianças terem-se sentido assim. Caso voltes a realizar duas fichas seguidas tenta que uma delas seja em forma de jogo, por exemplo palavras cruzadas, sopa de letras, etc. Desta forma as crianças aprendem e divertem-se na mesma não sentindo a pressão de ser, novamente, uma ficha.
Qualquer ajuda que precises estás à-vontade :) continuação de bom trabalho

P.S. Repetiste duas vezes o mesmo parágrafo, não sei se consegues editar :)

Carolina.


De andreiacsilva a 27 de Outubro de 2013 às 11:35
Olá :) li o teu post e vim colocar algumas questões que me deixaram curiosa em ralação ao projeto bilingue.
Uma vez que, com essas crianças, a área de Estudo do Meio é trabalhada toda em inglês, também vais ter que o fazer? Sentes-te à vontade para tal? Tudo é dito em inglês ou só aprendem em inglês, por exemplo, algumas partes do corpo?
E, pelo que li, é mesmo um bom princípio para o teu projeto!

Relativamente às fichas de trabalho, porque fizeram duas fichas seguidas sobre áreas diferentes? Normalmente, na turma com quem estou a trabalhar, abordámos uma área e, de seguida, as crianças realizam uma atividade relativa à temática que estiveram a abordar para existir uma síntese dos conhecimentos.

Continuação de um bom trabalho ;)

Andreia Silva.


De samantacaleiro a 27 de Outubro de 2013 às 12:44
Olá :)
Após ter lido o teu post e os respetivos comentários posso dizer que as questões abordadas pelas colegas foram bastante pertinentes.
Em relação ao que a Carolina focou e indo ao encontro da mesma, penso que toda e qualquer mudança nas rotinas dos alunos podem-nos parecer, nas primeiras intervenções, um momento monótono. Contudo, por norma, os alunos são abertos a novas propostas e para tal é preciso saber como transmitir o que vai ser feito e com que objetivo. A meu ver, nesta situação, é importante questionarmo-nos: Será que as fichas eram adequadas ao grupo de alunos em questão? Expliquei de forma objetiva e clara o que pretendia com a realização da mesma? Dei o apoio necessário para que os alunos fossem capazes de responder? Promovi um ambiente positivo e propício à aprendizagem? Por vezes é difícil arranjarmos uma resposta, no entanto, o primeiro passo para uma próxima intervenção e melhoria da mesma é a própria consciência, sermos capazes de nos questionar e refletir. Penso que seria importante numa próxima intervenção utilizares outra estratégia pois só experimentando é que somos capazes de perceber o que fará mais sentido.
Contudo, coloco a mesma questão que a colega Andreia: porque fizeram duas fichas seguidas sobre áreas diferentes? Na turma com quem estou a trabalhar, tal como a colega referida, abordamos uma área e as atividades realizadas posteriormente são relativas à mesma. Usaste essa estratégia devido à observação que fizeste e tal como a professora procede? Ou foste tu que planificaste dessa forma? Talvez fosse importante refletir sobre isso.
Para acabar... Questiona sempre tudo! Levanta questões! Experimenta! É com os erros e experimentando que aprendemos e poderemos melhor a prática educativa, proporcionando uma melhor aprendizagem.
Qualquer questão não hesites em perguntar :) Bom trabalho*
Samanta


De fabianamabrantes a 3 de Novembro de 2013 às 19:46
Inicialmente, antes sequer de poder observar a docente, a sua postura em sala de aula e o comportamento da turma senti-me bastante ansiosa e surgiram-me questões como “Que linguagem terei de utilizar perante a turma?”, “Que atividades irei realizar para cativar o interesse da turma?”, “Qual a melhor forma de me relacionar com os alunos?”, “Conseguirei adotar uma postura rígida e autoritária sempre que necessário?”, “E se os alunos me fizerem alguma questão que eu não saiba responder?”. No entanto, depois de todas as aulas observadas, de algumas intervenções e do contacto com os alunos, constatei que afinal parte dos meus medos poderão ser colmatados com uma boa gestão do tempo de estudo, juntamente com o estabelecimento de laços de respeito mútuo e confiança com a turma. Desde o primeiro dia criou-se uma empatia muito forte entre mim e os alunos, estes estavam bastante ansiosos com o facto de terem uma professora estagiária e regularmente perguntavam quando era eu a dar as aulas, chegaram a pedir inclusive à professora cooperante para lecionar já no período de observação.
Relativamente aos recursos adotados pela professora para lecionar as aulas, esta não usa apenas o manual, cria alguns recursos, utiliza a internet para partilhar pesquisas ligadas às temáticas com os alunos, recorre a vídeos e a canções para tornar as aulas mais atrativas e dinâmicas, fazendo com que os alunos estejam motivados e empenhados na aprendizagem. Apesar de deparar-me com um bom método pedagógico, promotor de aprendizagens, de bem-estar e de desenvolvimento nos alunos, não pretendo segui-lo na íntegra, pois considero que o estilo de um professor é concebido à imagem específica de cada um.
A professora não me colocou qualquer restrição relativamente aos recursos que posso utilizar nas minhas intervenções. Neste sentido, para que os alunos desenvolvam elevados níveis de implicação e de bem-estar, procuro sempre arranjar atividades que vão ao encontro dos seus interesses, como histórias e jogos. Por exemplo quando tive de ensinar como se classificavam as palavras quanto à sílaba tónica, criei uma história em que era a personagem principal que lhes ia ensinar algo de novo que era a EGA, E de esdrúxula, G de Grave e A de aguda. E posso afirmar que esta estratégia resultou muito bem, pois a maioria dos alunos resolveram os exercícios com sucesso. Além disso, perguntaram-me de imediato quando é que levava mais histórias, pois gostavam muito das minhas histórias. Sinto-me feliz quando ouço estes elogios, sinto-me feliz quando vejo que as crianças alcançam os objetivos que são propostos.
Para lecionar os sistemas, recordei-me de uma coleção Era uma vez o corpo humano que me cativava imenso quando eu andava na escola e resolvi levar para as crianças visualizarem com o intuito de estas assimilarem os conteúdos que já tinham sido lecionados pela professora Manuela, e no final da visualização as crianças que revelaram algumas dificuldades nesta temática em aulas anteriores, propuseram-se a falar acerca do filme e nesse momento pude constatar que fui de encontro aos seus interesses. Isto para dizer que utilizo também o manual, mas recorro mais a outro tipo de recursos, como por exemplo os que já mencionei.
Não tive conhecimento de como foi realizada a integração dos três alunos na turma.
Em relação às fichas, utilizei-as com o intuito de perceber se as crianças assimilaram os conteúdos lecionados na semana anterior e na área da matemática não estava a ver outro modo para o fazer. A ficha de estudo do meio continha apenas dois exercícios, não sei se deverei usar o termo ficha.
O projeto bilingue tem como objetivo lecionar os conteúdos de estudo do meio apenas na língua inglesa. Nesta área, os alunos têm também de ser avaliados na língua inglesa. Para apoiar este projeto, a turma conta com uma visita semanal da coordenadora do projeto que se realiza à segunda-feira e uma da assistente comenius que se realiza à quarta-feira. E acreditem que tenho verificado que os alunos têm tido melhores resultados com as aulas lecionadas em inglês do que em português. No entanto, eu leciono as aulas de estudo do meio em português, pois não domino o inglês.


De fabianamabrantes a 3 de Novembro de 2013 às 19:47
Concordo inteiramente com a Samanta, pois considero que a reflexão é uma das melhores formas de desenvolvimento pessoal e profissional uma vez que nos faz pensar e questionar acerca da nossa própria ação, com o intuito de procurarmos melhorar as nossas competências e excluirmos os aspetos negativos da nossa atividade.


De angelasofia a 8 de Novembro de 2013 às 10:52
Penso que as minhas colegas já ressaltaram aspetos muito importantes aos quais já deste resposta :)
Deixo no entanto um sugestão mais virada para o post em si, para uma próxima vez, talvez devesses realizar um post com meno texto, de forma à leitura não se tornar tão massadora. Se quiseres transmitir muita informação, podes sempre realizar dois posts :)

Bom trabalho vizinha de sala :)


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