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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013
Trabalho colaborativo em Redes/Comunidades online e aprendizagem dos alunos

O presente post, no âmbito da unidade curricular de Gestão de Comunidades de Aprendizagem Online, pretende demonstrar o resultado de uma pequena pesquisa em torno da temática do trabalho colaborativo realizado no contexto das comunidades online e dos seus benefícios para a aprendizagem dos alunos.

Apresentamos, em seguida, tal resultado.

Beijinhos,

Alexandra Ramos e Ana Catarina

 

Trabalho colaborativo em Redes/Comunidades online e aprendizagem dos alunos

 

A aprendizagem nas escolas baseou-se, durante um largo período de tempo, no modelo behavionista que, atualmente, ainda persiste em algumas práticas.

Assim, segundo o referido modelo, a aprendizagem ocorre de forma individual e competitiva, estando, por vezes, o sucesso de alguns alunos dependente do insucesso dos restantes. A postura competitiva, segundo os defensores deste modelo - também denominado de tradicional -, é uma estratégia motivadora na aprendizagem, contudo, esta pode ser, igualmente, promotora de dificuldades de aprendizagem (especialmente nos alunos menos competentes), bem como estar na origem de comportamentos de indisciplina.

Gradualmente, o modelo tradicional vem sendo substituído pelo paradigma construtivista, onde “a aprendizagem colaborativa tem vindo a assumir um papel cada vez mais importante. O aluno deverá assumir um papel activo na construção do seu próprio conhecimento.” (Magalhães, 2002: 36). Ao invés do modelo tradicional, onde o conhecimento é transmitido pelo professor, principal fonte de conhecimento, nos novos cenários educativos e interativos que vão sendo traçados, a aprendizagem centra-se no aluno e em estratégias de colaboração e cooperação.

Segundo Magalhães (2002: 38), “todo o conhecimento tem, em primeiro lugar, um carácter social e só depois um carácter individual”, ou seja, é a partir das interações com os outros que o aluno tem oportunidade de desenvolver a sua aprendizagem. Este facto remete-nos para a linha de pensamento de Vygotsky, que afirma que o conhecimento adquirido pelos alunos não é transmitido pelos professores, mas antes, decorre de uma série de transformações ocorridas na denominada Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), definida como, “the distance between the actual developmental level as determided by independent problem solving and the level of potential development as determined through problem solving under adult guidance or in collaboration with more capable peers.”(Vygotky in Magalhães, 2002: 38).

Assim, segundo o autor, o processo de desenvolvimento encontra-se num estádio inferior ao estádio da aprendizagem, pois o aluno apenas adquirirá conhecimentos e competências que utilizará em situações futuras, se estiver no âmbito da sua ZDP. Para além disso, esta aprendizagem está dependente do auxílio e da interação com alunos mais capazes. Deste modo, um aluno menos competente poderá beneficiar muito da interação com alunos mais competentes, e estes, ao terem de sistematizar e organizar determinados conhecimentos, com vista a ajudar os alunos menos capazes, tenderão a interiorizar os conhecimentos de forma mais eficiente.

Posto isto, importa perceber em que consiste o trabalho colaborativo.

Segundo Fino (in Jacinto, 2011: 28), aprendizagem colaborativa “é a situação na qual duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender em conjunto algum conteúdo”, ou seja, a construção dos conhecimentos é efetuada em conjunto, trabalhando todos os elementos em prol de um mesmo objetivo. Este tipo de trabalho, para além de ter benefícios cognitivos, uma vez que o conhecimento é construído de forma apoiada, tornando-o mais sólido e promovendo uma maior equidade de saberes dentro do grupo, promove também benefícios relativos à dimensão afetiva e social.

De facto, se bem organizado, o trabalho colaborativo tende a gerar sentimentos positivos e de bem-estar em todos os alunos, pois promove apoio mútuo, sentimento de pertença ao grupo, assim como um gradual aumento da autoestima e do sentimento de sucesso perante a aprendizagem. Ainda nesta dimensão, o bem-estar individual tenderá a ser transferido para o grupo, melhorando a sua dinâmica e potenciando o sucesso de todos os elementos do grupo, bem como, o bom ambiente e bem-estar em sala de aula.

Jacinto (2011) considera que a aprendizagem colaborativa pode ser reforçada e melhorada através do uso de ferramentas digitais, pois permite uma interação com um maior número de intervenientes, ou seja, o contacto com um maior número de pontos de vista. Para além disso, permite, também, o desenvolvimento de competências informáticas e sociais.

Necessariamente, se os alunos não tiverem acesso às tecnologias de informação e comunicação, ainda que desenvolvam trabalho colaborativo, estão restritos ao grupo-turma e aos conhecimentos desenvolvidos em sala de aula. Contrariamente, se os alunos tiverem contacto com comunidades de aprendizagem online, terão acesso a outros conhecimentos, desenvolverão outras capacidades, tanto informáticas como sociais e mesmo de cidadania, fundamentais à integração futura em sociedade e no mercado de trabalho. As comunidades de aprendizagem online poderão ainda aproximar a escola da sociedade, ajudando-a a lidar com as exigências do mundo em constante desenvolvimento.

Outro aspeto a ter em conta será a flexibilidade e motivação proporcionadas por este suporte do trabalho colaborativo. Permitindo a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) uma abordagem mais centrada no aluno, respeitando o seu ritmo e beneficiando, especialmente, os alunos com necessidades específicas de aprendizagem, o trabalho em rede torna-se uma estratégia geradora de motivação, pois possibilita ao aluno desenvolver conhecimento de acordo com as suas capacidades e ao seu ritmo. Para além disso, sendo uma ferramenta tão dinâmica e apelativa, tende a despertar uma mudança de atitude e um aumento do envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem.

Contudo, Chagas (n.d.) recorda-nos que, apesar de as condições básicas estarem, maioritariamente, asseguradas, existem ainda muitos obstáculos à utilização proveitosa e generalizada das redes computacionais. Entre eles destacam-se, muitas vezes, a falta de interesse dos professores que, pela ausência de formação e de apoio se sentem inseguros na forma de gerir e promover o trabalho em comunidades de aprendizagem online.

Destaca-se, igualmente, o fator tempo. Para que existam verdadeiras comunidades de aprendizagem online, e reais aprendizagens daí decorrentes, é necessário tempo para criar vínculos, partilhar informações e discuti-las, tornando-as conhecimento comum a todos os membros envolvidos. Porém, nem sempre é fácil dispensar tempo para este tipo de atividades se estas não são entendidas, pelos professores, como verdadeiros centros de aprendizagem.

Considera-se, assim, que apesar de muito se ter feito em prol do acesso generalizado às Novas Tecnologias da Comunicação, é necessário, ainda, promover a formação e o apoio dos docentes, para que estes possam desenvolver atividades adequadas e proveitosas tanto para os alunos, como para a própria prática docente.

É fundamental que encaremos o computador como um importante complemento do processo de aprendizagem, atendendo a todos os benefícios acima explanados. Apesar disso, não será o instrumento chave para toda a aprendizagem dos alunos, uma vez que a diversidade de estratégias é importante na resposta à heterogeneidade em sala de aula e à importância da formação global do aluno, para além de que o acesso às TIC implica a aprendizagem da autonomia na sua utilização.

 

Referências bibliográficas:

Chagas, I. (n.d.). Trabalho colaborativo. Condição Necessária para a Sustentabilidade das Redes de Aprendizagem. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Jacinto, M. (2011). Trabalho de Projecto – Ambiente virtual de aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento de competências: romper os limites da sala de aula. Dissertação de Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação e Educação. Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Magalhães, M. (2002). Aprendizagem Colaborativa versus Aprendizagem Individual em Aula de Língua Inglesa – Diferenças de Desempenho na Utilização de um Hipertexto de Flexibilidade Cognitiva. Dissertação de Mestrado em Educação Multimédia. Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.


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publicado por anaafonso às 12:09

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