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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012
Que projeto de investigação?

Olá meninas. Ainda não nos tínhamos pronunciado sobre o nosso projeto de investigação, por isso aqui fica a nossa reflexão, sobre as dificuldades sentidas, as alterações feitas e as estratégias adotadas para conseguirmos vencer as dificuldades. 

Que tema de investigação?

Quando fomos para o contexto tínhamos como tema de investigação a matemática, mais especificamente a unidade de medida. Começámos a implementação das primeiras atividades sem demora, às quais muito poucas crianças aderiram. Enquanto isso, estávamos um pouco alheadas do restante grupo, o que perante as exigências da prática pedagógica não podia acontecer.

A matemática está presente em todo lado no jardim de infância (JI), nos jogos, na casinha, na expressão plástica, nos materiais de desperdício, na biblioteca, na garagem, nas construções, no espaço exterior, etc. Contudo, nós trazíamos as ideias demasiado preconcebidas em relação ao projeto e ao tema do mesmo, e procurámos tanto, que não fomos capazes de encontrar o que procurávamos. Perdemos as primeiras semanas de prática num caminho indefinido e acabamos por chegar a um beco sem saída. Em reflexão, acreditamos que nos faltou flexibilidade e abertura para encontrarmos uma solução que combinasse o nosso projeto com a realidade e os interesses do grupo.

Ora, se não estávamos a conseguir levar o nosso projeto avante, mas se impunha a existência de um projeto de investigação, já que a redação do nosso relatório de estágio disso dependería, tínhamos de contornar o problema de outra forma. O conhecimento que tínhamos das crianças, dos seus interesses, necessidades e daquilo que as motivava também era cada vez maior, à medida que o tempo passava.

Por um lado, se já sabíamos que uma grande parte das crianças provinha de famílias e contexto socioeconómicos atípicos e instáveis, fomo-nos apercebendo cada vez mais das implicações que isso tinha na sua forma de estar, na sua capacidade de resolver os conflitos e nas relações com os outros. Algumas crianças demonstravam falta de assertividade, de auto-confiança, em alguns casos adotavam mesmo atitudes agressivas com os colegas, noutros casos evidenciavam um certo isolamento, ou dificuldades em resolver os conflitos internos ou com os colegas. Um dos aspectos em que fazia sentido investir estava portanto relacionado com as emoções e as relações no JI, prendendo-se com a formação pessoal e social das crianças.

Por outro lado, era visível que um dos maiores interesses das crianças era o brincar livre, em especial no espaço exterior, já que o mesmo permite movimentações e brincadeiras que não podiam ser realizados no espaço da sala, mas que assumem uma grande importância para as crianças, sobretudo para este grupo. O poderem correr livremente, fazerem jogos motores, explorarem os espaços e desenvolverem dinâmicas relacionais. Apesar deste espaço exterior ser um pouco limitado no que respeita a elementos da natureza, as crianças sempre encontraram elementos interessantes e aliciantes. Os projetos de escavação na areia e a criação de cimento, os bolos (de areia) e as festas de aniversário, as buscas incessantes pelos bichinhos (que iam desde os mais pequenos caracóis, até aos gafanhotos e às vespas).

A reformulação: emergência de novos projetos de investigação

Assim se altera o nosso percurso e o nosso objeto de investigação. Em função dos novos temas, delineámos os projetos:

I-     Relativamente às emoções e às relações:

1-      Definimos a questão de estudo “Será que as atividades a dinamizar terão implicação ou ajudarão as crianças a evoluírem em termos emocionais e relacionais?”;

2-      Seleccionámos uma amostra de crianças, alguns casos que se mostraram mais interessantes ou desafiantes relativamente ao tema em questão;

3-      Caracterizamos emocional e relacionalmente cada uma das crianças seleccionadas;

4-      Definimos as atividades a dinamizar relacionadas com o tema, tendo em conta objetivos didáticos, mas também investigacionais;

5-      Dinamizamos as atividades;

6-      Recolhemos os dados, quer durante as atividades, quer no período delimitado para a implementação do projeto, pois é importante observarmos a evolução das crianças em contexto;

7-      Fazemos uma nova caracterização da amostra, que nos permita estabelecer uma comparação com a caracterização inicial, de modo a podermos tirar conclusões;

                Contudo, não basta planear, é necessário monitorizar a viabilidade das estratégias definidas e adaptar, pois nem tudo corre conforme o previsto e os métodos e estratégias que definimos à partida nem sempre são os mais adequados ou respondem às necessidades e situações que surgem da prática.

Uma das estratégias que adotamos para a recolha de dados foi a entrevista, em que após uma sessão de leitura, colocámos algumas questões às crianças, para obtermos os dados que pretendíamos. Experimentamos esta estratégia primeiro com todo o grupo (25 crianças), já que as leituras foram realizadas desta forma. Contudo, a sua aplicação nas condições descritas não nos permitiu recolher os dados necessários em relação à amostra de crianças seleccionada.

Assim sendo, tentámos realizar a mesma estratégia apenas com a amostra de crianças em estudo, ou seja, depois da leitura de um livro (referente ao tema pretendido), juntámos apenas as crianças seleccionadas, colocando as mesmas questões da entrevista a cada criança. Aqui enfrentamos dois problemas centrais. Primeiro, o facto de colocarmos as mesmas questões a cada uma tornou-se repetitivo para elas, levando-as a perder o interesse, e pondo em causa a fiabilidade das suas respostas. Depois, algumas das crianças que integravam a amostra em estudo não colaboraram de forma a que obtivéssemos os dados pretendidos.

Não optámos nunca pela entrevista individual, porque como diz Portugal, ao expor-nos a teoria ecológica de Urie Bronfenbrenner, “pelo facto de se introduzirem numa situação natural elementos não familiares pode criar-se uma situação ambígua, geradora de sentimentos de incerteza, insegurança e ansiedade e, consequentemente, desempenho diferente do habitual […]” (Portugal, 1992), o que poria em causa a fiabilidade dos dados e por isso a viabilidade da estratégia.

Postas estas dificuldades, concluímos que o melhor seria optar pela observação diárias das crianças, registando o seu discurso e também indicadores físicos, que em alguns casos se mostraram muito importantes, não pondo assim em causa a fiabilidade dos dados, obtidos a partir da ação espontânea e quotidiana das crianças.

 

Joana e Sara


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publicado por coutinho-pereira às 20:20

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De mjoao a 29 de Janeiro de 2013 às 18:39
Viva!
Extremamente importante esta mensagem, nomeadamente porque mostra que em contextos de investigação naturais, não se pode desenhar um estudo sem atender às necessidades reais. Quanto à forma como desenvolveram o projeto que emergiu do contexto e do melhor conhecimento das crianças, tenho várias dúvidas mas vou "dar espaço" às colegas. Boas reflexões!
MJL


De claudia-rosa a 31 de Janeiro de 2013 às 15:35
Olá meninas.

Na reflexão apresentada apontaram diferentes pontos bastante pertinentes.
Assim como no vosso post anterior (a este) apresentam de uma forma clara as vossas situações-problema, para as quais tentaram procurar soluções adequadas.

Contudo, ao longo deste, apercebemo-nos que selecionaram apenas algumas crianças para constituírem a vossa amostra para recolha e análise de dados.
Posto isto, gostaríamos de saber como fizeram essa seleção? Que critérios foram definidos?

Continuação de um bom trabalho,
Cláudia e Sara


De coutinho-pereira a 31 de Janeiro de 2013 às 15:50
Olá =)
Olha a Sara colocou um post semelhante a este mas já atualizado. Talvez seja esclarecedor se o vires. Nós realizamos duas investigações, uma sobre as emoções e relações e outra sobre o brincar no exterior.
Foi para o estudo sobre as emoções e relações que definimos um grupo amostra, pelo facto de ser um tema demasiado vasto, o que tornaria muito difícil acompanhar a evolução de 25 crianças nesta área, num espaço de tempo tão curto. Por isso escolhemos algumas crianças que apresentavam várias questões em termos emocionais e relacionais: conflitos emocionais, isolamento, dificuldade em resolver os conflitos com os outros, dificuldades no respeito pelas regras e pelos outros. Penso que foi este o principal critério. Contudo, no contexto em que estávamos poderíamos ter seleccionado outro grupo amostra com questões semelhantes, já que muitas crianças enfrentavam situações de vida difíceis por razões diversas e evidenciavam dificuldades ao nível emocional e relacional.
Foi precisamente devido a essa realidade que optamos por este tema de investigação-intervenção.
Assim, definimos os elementos da amostra, caracterizamos cada um deles, dinamizamos diversas atividades no domínio da expressão e comunicação, e agora estamos na fase de análise dos dados, para perceber se existe ou não evolução nas crianças, tentando também perceber se as atividades dinamizadas contribuíram para essa evolução.
É claro que no caso de se verificar evolução nas crianças da amostra, isso não permitirá concluir que tal evolução se deve às atividades que dinamizamos, pois há um sem fim de variantes que nós não controlamos, como o contexto familiar, as experiências e ligações das crianças fora do jardim (ou mesmo no jardim, pois não controlamos tudo o que acontece).

Espero ter esclarecido algumas dúvidas,
Joana


De claudia-rosa a 2 de Fevereiro de 2013 às 10:10
Olá Joana.

Obrigado pelo esclarecimento.
Quando perguntámos foi no intuito de saber como justificaram a amostra selecionada, pois é algo muito importante. Eu e a Sara também fizemos o mesmo que vocês, mas com critérios diferentes dos vossos.
Para o nosso projeto acabámos por definir como critérios a participação, a implicação, o bem-estar e a perspicácia das crianças, pois seriam essas crianças que nos dariam mais dados.
Desta forma, concluímos que a nossa amostra se denominava de amostra não-probabilística intencional.

Com tudo isto, também vos quero dizer que consideramos muito pertinente o vosso projeton de intervenção e ainda mais quando fizeram por ir ao encontro das necessidades do vosso grupo-alvo.

Parabéns e continuação de um bom trabalho,
Cláudia e Sara


De coutinho-pereira a 2 de Fevereiro de 2013 às 15:01
Olha então aproveito para vos perguntar onde descobriram isso do tipo de amostra. Sabem alguma bibliografia onde possa ler sobre esse assunto? Seria muito útil para o meu relatório.

Obrigada =)
Joana


De sara-alves a 3 de Fevereiro de 2013 às 00:59
Olá meninas!
Espero que a realização do vosso relatório de estágio esteja a correr pelo melhor.
Gostava de agradecer toda esta partilha que fizeram connosco, principalmente no que diz respeito ao tipo de amostra com o qual implementamos o projeto de intervenção. Para mim era totalmente desconhecido essa definição para esse tipo de amostra. Assim como disse a Joana agradecíamos, caso vos seja possível, que nos recomendassem uma bibliografia específica, pois será importante para o relatório da Joana mas também para todas nós, uma vez que poderemos informar-nos melhor sobre o mesmo tema.

Gostaria, ainda, de vos agradecer o apoio relativamente aos novos projetos de intervenção que implementamos, pois poderíamos de certeza absoluta ter posto em prática os temas que tínhamos inicialmente pensado, mas nós próprias estávamos a deixar de ter prazer nos mesmos pois sentíamos que as crianças não tinham o mínimo interesse por eles. Assim optámos por abdicar deles e ir assim ao encontro de um projeto que se tornasse não só nosso mas também das próprias crianças, fazendo parte dos seus próprios interesses e necessidades.

Continuação de bom trabalho! :)
Beijinhos
Sara Alves


De claudia-rosa a 3 de Fevereiro de 2013 às 10:39
Bom dia meninas.

Relativamente a alguma bibliografia que consultámos acerca das amostras, podemos sugerir:

• Sousa, M. & Baptista, Cristina. (2011). Como fazer investigação, dissertações, teses e relatórios. Segundo Bolonha. Lisboa: Lidel – edições técnicas, Lda.;
• Vilelas, J. (2009). Investigação. O processo de construção do conhecimento. Lisboa: Edições sílabo.

Continuação de um bom trabalho,
Cláudia e Sara


De coutinho-pereira a 3 de Fevereiro de 2013 às 12:35
Obrigada pela partilha, tenho a certeza que ainda vai ser muito útil =)

Joana


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