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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012
Gestão de comunidades de aprendizagem online vs papel dos pares (co-supervisão/feedback) - reformulado

 

 

 

- Gestão de comunidades de aprendizagem online

 

 

Em primeiro lugar gostaríamos de deixar claro que procedemos à melhoria desta publicação devido a interpelações e questões que foram levantadas pelas colegas nos seus comentários. Para além disso, através dessas mesmas questões levantadas no feedback que nos foi dado, pudemos perceber que não tínhamos tido uma postura crítica face àquilo que são as orientações teóricas pelas quais nos guiámos para concretizar este trabalho, o qual se torna mais rico se o fizermos.

Em segundo lugar, o objetivo desta publicação é clarificar, numa primeira parte, o que é que se entende pelo conceito de gestão de comunidades de aprendizagem online, citando alguns autores que nos pareceram explicitar mais claramente esta noção. E numa segunda parte daremos a conhecer alguns dos papéis dos pares numa comunidade de aprendizagem online, salientando aqueles que consideramos fulcrais.

Para rematar, faremos uma breve abordagem acerca da ligação existente entre a supervisão por pares e comunidade de aprendizagem online, destacando a importância da sua presença.

Segundo Loureiro e outros (2009), a inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação na educação veio provocar mudanças na forma como os docentes promovem o seu desenvolvimento a nível profissional. Desta forma, começaram as ser constituídas comunidades de aprendizagem online de professores, tendo estas comunidades como principais objetivos, a partilha de saberes e de experiências na construção e na inovação das práticas.

Para que estas comunidades tenham êxito são determinantes elementos como a tecnologia, a confiança, a capacidade de comunicação e de socialização, o tempo, a liderança, o sentimento de pertença e o entendimento entre todos os membros da comunidade.

Conforme a opinião de Vavasseur (2006), citado por Loureiro e outros (2009), podemos verificar que interesses comuns e o desenvolvimento profissional unem os docentes e funcionam como motivações para que estes participem nas comunidades online de professores. Além disso, as tecnologias permitem a participação em comunidades de âmbito geograficamente mais alargado, libertando os seus membros das barreiras espácio-temporais.

Gannon-Leary e Fontainha (2008), citados por Loureiro e outros (2009) referem também alguns fatores como sendo imprescindíveis para que uma comunidade de professores online tenha sucesso, os quais vão ao encontro da linha de pensamento de Loureiro e outros (2009), a saber:

- Tecnologia;

- Confiança;

- Comunicação;

- Tempo;

- Liderança;

- Socialização;

- Sentido de pertença;

- Entendimento comum.

Então, a tecnologia e a sua usabilidade são um fator de sucesso numa comunidade de professores online, já que esta necessita de uma infraestrutura que inclua ferramentas de comunicação instantânea e assíncrona, bem como diversos dispositivos de organização.

A confiança é outro fator crítico de sucesso, pois uma comunidade só pode crescer se existirem relações de confiança estabelecidas. As relações de confiança podem ser de vária ordem: na tecnologia, na liderança, no conteúdo ou nos membros que constituem a comunidade. A liderança, por seu lado é também apontada por Gannon-Leary e Fontainha (2008) como essencial numa comunidade online. Segundo Miranda e Osório (2008), o papel do líder é determinante para a manutenção da comunidade de professores, sobretudo quando falamos de um ambiente virtual no qual a promoção de interações é fundamental. No entanto, no nosso entender, o líder não se encontra numa posição hierárquica superior à dos restantes membros da comunidade online. O papel do líder será, essencialmente, promover as interações entre os membros do grupo, aguçando o seu sentido crítico, colocando questões e fazendo sugestões. No fundo, se concretizarmos esta ideia com um exemplo, podemos facilmente perceber quem assume o papel de líder na nossa suposta comunidade online, a professora. Este papel é assumido pela professora na medida em que esta é que nos conduziu à partilha de ideias e de informação face a um determinado foco. O que vai totalmente ao encontro das palavras de Miranda e Osório (2008).

Conforme Andrews e Schwarz (2002), citados por Loureiro e outros (2009), quando os membros de uma comunidade online conhecem os elementos que a constituem, a confiança e as relações pessoais desenvolvem-se mais facilmente, por isso os momentos de socialização são importantes.

Por fim, o sentido de pertença é outro fator crítico de sucesso e, conforme Brown & Duguid (2002), citados por Loureiro e outros (2009), fazer parte de uma comunidade online de prática não é suficiente para pertencer a ela. Os membros devem ter a noção de que pertencem à comunidade e que são importantes. Esta noção presume que a aprendizagem não ocorra apenas porque se tem acesso a conteúdos mas também porque se participa ativamente na comunidade. Assim, pensamos que não podemos afirmar que uma comunidade, neste caso, online se constrói apenas a partir da colaboração ou apenas partindo da cooperação. É preciso participar ativamente na comunidade online mas, por outro lado, também é necessário que haja entreajuda entre os membros da comunidade. Parece-nos portanto que essa construção assenta tanto na cooperação como na colaboração.

 
 

 

 

- Papel dos pares nas comunidades de aprendizagem online

 

 

- Estar recetivo para receber e dar feedback acerca de qualquer questão inerente ao processo de ensino e aprendizagem;

- Incentivar e promover o debate, a partilha, a exposição de expectativas e constrangimentos;

- Mostrar disponibilidade para apoiar o outro na organização de todo o processo (calendarização, discussão e seleção de estratégias, recursos, formas de monitorização, avaliação e reflexão);

- Dar oportunidade ao outro de expor as suas dúvidas, receios e outras questões que, eventualmente o preocupem;

- Criticar positiva e negativamente, através de sugestões e de elogios ao trabalho realizado pelo outro.

De acordo com o conjunto de ideias supramencionado, podemos perceber que a validação e o reconhecimento do nosso trabalho pelos nossos pares são essenciais para que possamos progredir. Dito de outro modo, se, por um lado, o conhecimento humano não faz sentido sem o conceito de comunidades, por outro lado, o conhecimento humano evolui a partir do reconhecimento e da validação dos nossos pares nas comunidades das quais participamos (Terra, 2003).

Considerando que a supervisão visa o aperfeiçoamento das competências de ensino, sendo uma ferramenta para testar, corrigir e refinar práticas pedagógicas na sala de aula, o papel dos pares é fundamental em todo este processo. A supervisão por um par implica que “[…] o observador e o observado sejam mais nivelados em termos de estatuto, experiência e competências”, implicando um grau menor de formalismo e promovendo, à partida, um ambiente de observação mais descontraído (Henriques, 2010, p. 2).  Para além disto, pressupondo-se que existe um maior grau de empatia entre observador e observado, as análises e discussões concretizadas entre pares conduzirão a conclusões mais frutíferas.

Este tipo de supervisão, a supervisão por pares ou entre pares, é definido por Alarcão e Roldão (2008), citadas por Henriques (2010), como supervisão horizontal, uma vez que acontece entre sujeitos que se encontram no mesmo patamar de formação.

A supervisão do trabalho pedagógico entre pares deverá contribuir para o desenvolvimento de capacidades profissionais decorrentes de um processo dialógico e analítico adaptado a cada realidade pedagógica. Sendo um processo que considera o contexto educativo deverá fazer-se na ação, mas também na reflexão acerca da ação, através da crítica e do diálogo construtivos.

No que respeita ao papel dos pares numa comunidade online, parece-nos que a interação acontece partindo dos pares e, de facto, deverá acontecer assim para que a comunidade tenha sucesso. Todavia, parece-nos também necessário que haja um ou vários líderes que se responsabilizem por ativar a comunidade sempre que esta se revelar mais “adormecida”, digamos assim. Caso contrário, a comunidade online poderá deixar de funcionar.

Esta crítica e este diálogo de que falamos, poderá acontecer também na comunidade online, abrindo mais possibilidades a sugestões. Pensamos que será neste sentido que a comunidade surge associada à supervisão por pares, ou entre pares, os quais deverão criticar construtivamente, contribuindo para a formação e reflexão dos sujeitos que se encontram no mesmo patamar, com sugestões e práticas que visem a resolução de problemas e o desenvolvimento profissional dos mesmos.

Assim, o papel dos pares nas comunidades de aprendizagem online será contribuir para a formação e reflexão dos sujeitos que se encontram no mesmo patamar, contribuindo com sugestões e práticas que visem a resolução de problemas e o desenvolvimento profissional dos mesmos.

 
 

 

 

 

 

 

- Bibliografia

 

- Loureiro, A. et al. (2009). Factores Críticos de Sucesso em Comunidades de prática de Professores Online.

- Henriques, M. C. (2010). Supervisão inter-pares: um percurso colaborativo de formação. Lisboa: Instituto Politécnico de Lisboa.

- Brito, M. G. C. (2009). A supervisão no âmbito do Programa de Formação Contínua de

- Professores: reflexão de uma formadora. In Interacções (12, pp. 87-95). Santarém: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém.

- Terra, J. C.C. (2003). Comunidades de Prática: conceitos, resultados e métodos de gestão. Terra Forum Consultores

 
 
Ana Pombeiro e Tânia Veloso

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publicado por t-soraia às 11:46

2

De mjoao a 29 de Janeiro de 2013 às 13:18
Olá.
Este comentário é global - nas reformulações que fizerem, e para ajudar a perceber as alterações introduzidas, seria bom que colocassem as modificações com uma cor diferente (no menu do editor de texto existe essa opção). Para além disso, podiam tentar explicitar porque fizeram essas alterações. Resultaram de comentários/interpelações à primeira versão? De leituras posteriores (de outros textos, da primeira mensagem...)? De reflexões decorrentes das vossas vivências/inquietações enquanto membros desta comunidade?...
Deixo à vossa responsabilidade, fazer uma análise crítica mais específica do post.
Bom trabalho!
MJL


De t-soraia a 30 de Janeiro de 2013 às 23:21
Professora, seguimos as suas sugestões e procedemos às alterações que pediu na publicação que reformulámos!

Continuação de bom trabalho!

Ana Pombeiro e Tânia Veloso


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