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Sábado, 29 de Dezembro de 2012
Redes/ comunidades online e sociedade da informação

  No âmbito da Unidade Curricular Organização da Educação e da Escola foi-nos solicitada a elaboração de uma pequena reflexão, que contemplasse uma das demais temáticas apresentadas pela docente. Particularizando, “Redes/ comunidades online e sociedade da informação”.

 Após bastantes reflexões e estando ciente das condicionantes impostas aquando a solicitação do trabalho, o grupo optou por restringir o número de subtemas focando-se apenas em alguns dos tópicos como: a definição de comunidade e de comunidade virtual, o papel das comunidades virtuais ao serviço da educação, entre mais.

  Neste sentido gostaríamos de iniciar a nossa reflexão com a definição de comunidade e comunidade virtual. No que diz respeito à comunidade, Misanchuk e Anderson definem-na como “a group of people who are brought together and generate knowledge in a mutually supportive and reciprocal manner. Its characteristics are ownership, social interaction, group identity, individual identity, participation, and knowledge generation. Furthermore, integration of all of these elements is necessary for a strong community.” (Misanchuk & Anderson, 2001: 5 citado por Marques, 2008: 56).

  Para Durkheim (Choupina,2012:16), uma comunidade refere-se a uma forma de coesão social, que envolve o estabelecimento de laços entre os membros de um grupo. Todos os seres humanos vivem e se desenvolvem em comunidade, integrando várias comunidades: de cariz profissional, familiar ou social.

   Não podemos esquecer que no processo de formação de uma comunidade é fundamental que se estabeleçam interações entre os vários membros, construindo uma história comum e uma interdependência.

   Quanto ao significado de comunidade virtual várias definições podem ser apresentadas. Rheingold (1993) afirma que "a comunidade virtual é um elemento do ciberespaço, mas existente apenas enquanto as pessoas realizarem trocas e estabelecerem laços sociais" (citado por Pereira,2007:14). Assim, estas são espaços privilegiados de interação, nos quais os diversos elementos apresentam objetivos e interesses comuns” (Pereira,2007:14).

   Martins (2006) refere ainda que as comunidades virtuais necessitam de acompanhamento e revisão/orientação e que é o seu próprio funcionamento que dita as regras e as normas (adaptado de Choupina 2012:22). No que diz respeito à efemeridade das comunidades virtuais a autora cita Martins (2006: 11) ([…]não é necessário que ela seja “eterna” , mas que cumpra o seu papel.)sendo uma poderosa ferramenta de registo, aprendizagem, participação com partilha e, enfim, de inclusão social, politica, religiosa, cultural e não apenas digital, já que o ciberespaço é um “lugar” que reúne toda e qualquer vivência e experimentação humana.

  As interações em comunidades online, ou seja, potenciadas pelos recursos computacionais, permitem partilha de informação em tempo real, facilitam a comunicação e colaboração, ultrapassando as barreiras geográficas e temporais.

  No nosso país, nos últimos anos, as mudanças no Sistema Educativo ocorreram no sentido de conferir cada vez maior responsabilidade às escolas e aos seus professores na gestão curricular, particularmente no que respeita ao “como” ensinar, face ao seu contexto específico. Neste sentido, numa sociedade em constantes transformações, também os sistemas educativos devem ser orientados para a inovação e para a mudança, como forma de responderem e, se possível, de se anteciparem aos novos desafios que a pós-modernidade coloca à educação. Assim é necessário que o Professor assuma um papel reflexivo e se adapte às novas metodologias e aos recursos educativos mais inovadores, como é o caso específico das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).

    Este novo mundo das TIC permite pensar em ampliar a sala de aula e “trazer o mundo para dentro da sala” (Marques, 2009:44). Podemos constatar, então, que existe uma oportunidade que oferece inúmeras vantagens para fazer da escola um espaço aberto a novos conhecimentos, novos processos de ensino, a novos espaços de participação e colaboração com outras escolar e outros atores educativo. (Marques, 2009:45).

Para que esta mudança ocorra é imperativo que o se dê uma mudança na forma como os professores encaram o seu papel dentro da escola de modo a contribuírem positivamente para a formação de alunos capazes de efetuar a sua própria aprendizagem.

    Atualmente vivemos naquilo a que se pode chamar uma sociedade da informação (SI), trata-se de uma sociedade inserida num processo de mudança constante, fruto dos avanços na ciência e na tecnologia (Lisbôa, 2010:37). Manuel Castells (2000 referido por Lisbôa, 2010:39) determina as principais características desta sociedade desta forma: a informação é a sua matéria-prima, a tecnologia e a informação complementam-se; capacidade de penetração dos efeitos das novas tecnologias, ou seja, […] a influência que os meios tecnológicos exercem na vida social, económica e política da sociedade; lógica da rede, a facilidade de interação entre as pessoas devido à utilização das recentes tecnologias da informação; flexibilidade, poder de reconfigurar, alterar e reorganizar as informações; convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado, os utilizadores das redes contribuem para a produção de informação.

    Tudo isto se encontra associado à facilidade de acesso à informação e à possibilidade de interação entre as pessoas.

Em jeito de conclusão, gostaríamos ainda de referir que os tempos de mudança mundial impõem às instituições educacionais uma nova forma de agir mais global e flexível, que corresponda às novas expectativas da sociedade.

     A mera transmissão de conhecimento tem de dar lugar ao incentivo à construção de um conhecimento partilhado, onde a aprendizagem passa a ser compreendida como um produto de interações e de reflexões desenvolvida entre grupos de pessoas. É necessário compreender a importância das novas tecnologias da informação e comunicação, pois a tecnologia e uma boa planificação do seu uso propiciam uma aprendizagem prática e partilhada, oportunidades de trabalho e de reflexão em grupo, para além de ajudarem a desenvolver o espirito crítico e de colaboração, articulando conhecimentos teóricos com os aspetos práticos da vida real.

Referências Bibliográficas:

CHOUPINA, E.J.M.F. (2012). Desenvolvimento profissional docente em comunidade de pratica: estudo de caso da comunidade EVTec. Dissertação apresentada à Escola Superior de Bragança para a obtenção do Grau de Mestre em TIC na Educação e Formação. Bragança: Instituto Politécnico de Bragança.

LISBÔA, E.S. (2010). Apredizagem Informal ne Web Social? Um estudo na rede social Orkut. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação- área de conhecimento em tecnologia educativa. Braga: Universidade do Minho.

 

MARQUES, M.M. (2008) Gestão Curricular Intencional numa Comunidade de Prática online. Tese de mestrado. Aveiro: Universidade de Aveiro.

 PEREIRA, L. M. C. S. (2007). Co-construção de estratégias de ensino numa comunidade de prática online: análise de interações entre professores do 1º ciclo do ensino básico. Tese de mestrado. Aveiro: Universidade de Aveiro. 

 

realizado por Cátia Duarte e Fátima Morais Soares


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publicado por fatima-morais às 19:21

editado por catiaduarte em 30/12/2012 às 12:43

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