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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
Redes/ comunidades online e sociedade da informação

No âmbito da unidade curricular de Gestão de Comunidades de Aprendizagem Online, debruçámo-nos acerca do tema “Redes/ comunidades online e sociedade da informação”. Assim, começamos por abordar o conceito de sociedade da informação e a sua relação com a educação, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), como ferramentas incontornáveis da sociedade atual, bem como os desafios e oportunidades decorrentes deste período. Surgem, nesse contexto, as redes e as comunidades online como recursos para potenciar, não só o conhecimento do professor, mas também a atualização e a renovação das suas práticas.

Ao analisarmos a atualidade, verificamos que esta apresenta um elevado grau de complexidade, pela diversidade de variáveis que a compõem e pela indefinição quanto ao quadro social. A história das tecnologias é indissociável do contexto social em que ocorre, contudo são os fatores sociais que modelam a tecnologia. Esta relação biunívoca pressupõe que apesar dos impactos sociais das tecnologias da informação e comunicação serem profundos e alargados, as suas origens sociais são também significativas. Assim, o desenvolvimento das novas tecnologias da informação, do audiovisual e das comunicações conduzem a profundas alterações na economia e na sociedade e, consequentemente, tem impacto nos mais diversos níveis, como por exemplo, no trabalho, na educação, na saúde, no lazer, entre outros (Ministério da Ciência e da Tecnologia, 1997).

Uma vez que a sociedade da informação possui, como base, uma sólida infraestrutura, onde a informação e o conhecimento se tornam variáveis fundamentais para a obtenção da produtividade e do poder, estes transformam-se em motores de arranque da economia. Deste modo,A sociedade de informação é entendida como uma sociedade centrada não tanto na produção de bens, mas na produção de uma grande diversidade de serviços baseada em conhecimentos e na produção, tratamento e transmissão da informação(Kovács & Moniz, 2001, p. 25).

Em virtude da reflexão sobre o conceito de sociedade da informação e da sua complexidade, surgem várias perspetivas, sendo que algumas sublinham a importância do conceito conhecimento em detrimento do conceito informação. Isto porque, apesar da sociedade ter acesso à informação, se não possuir capacidades para a tornar em conhecimento, não conseguirá tirar proveito de todo o seu potencial. Portanto, o mais relevante não é saber receber e processar a informação, mas saber torná-la em conhecimento produtivo (Junqueira, 2002).

No âmbito desta perspetiva,verificamos a necessidade de converter a sociedade da informação em sociedade do conhecimento, onde a informação não circule apenas mas se processe e proceda à sua gestão, no sentido da sua optimização num contexto de aprendizagem permanente(Rodrigues, 2010, p.3). Assim, a substituição da expressão sociedade da informação pela expressão sociedade do conhecimento, não diz respeito a um período de desenvolvimento económico e social concreto mas sim a um período idealizado que se pretende atingir.

A sociedade da informação, na generalidade dos discursos e das análises, é percecionada como um desafio no qual é suposto que todos os cidadãos se mobilizem, com vista a alcançar a designada sociedade do conhecimento, onde as redes digitais são a base do funcionamento das sociedades. Em suma, a informação e o conhecimento espelham, de modo particular, a modernização, o progresso e o desenvolvimento das sociedades, que ocorrem a um ritmo acelerado.

As TIC, que se colocam como o aspeto mais visível desta sociedade de informação, vão surgindo a partir do desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico mas, ao mesmo tempo, surgem também como resposta às necessidades emergentes da sociedade. As expectativas e exigências, que resultam do novo paradigma da sociedade de informação, constituem-se como desafios e oportunidades, neste processo de mudança. Assim, torna-se premente assegurar, não só a acessibilidade às TIC mas, também proporcionar o desenvolvimento de competências técnicas e científicas para as utilizar.

Tendo em conta estas mudanças, verificámos que também ao nível da educação e formação, os professores têm de estar preparados para os novos desafios que são colocados, uma vez que necessitam de desenvolver competências técnicas e científicas, de modo a oferecer novas oportunidades de aprendizagem aos seus alunos e promovendo igualmente o seu próprio desenvolvimento profissional. Assim, e relativamente aos desafios, Junqueira (2002) afirma que se soubermos, individual e coletivamente, encontrar as respostas adequadas e empreender as ações correspondentes, então seremos capazes, não só de os enfrentar, mas também de os vencer. E é aí que a Idade do Conhecimento se apresenta como a próxima grande oportunidade da História dos Homens.

Esta oportunidade passa por reforçar o potencial das TIC no intuito de estabelecer uma comunicação partilhada (Johnson, 2001; Miranda & Dias, 2005, citados em Cruz, 2010), pois o agir profissional dos professores deve desenrolar-se em ambiente colaborativo, com a reflexão a realizar-se através do diálogo de trabalho com os outros e na construção de objetivos comuns (Alarcão, 2002, citada em Cruz, 2010). Para além deste diálogo, “a criação de redes colectivas de trabalho, constitui, também, um factor decisivo para a afirmação de valores próprios da profissão docente” (Nóvoa, 1992, p.26, citado em Cruz, 2010, p.37).

As comunidades de prática online, surgem neste contexto, e afirmam-se como uma das respostas possíveis aos desafios e necessidades com que os professores se debatem atualmente (Barab & Duffy, 2000; Barab, 2003; Saint-Onge & Wallace, 2003; Dede, 2004; Dede et al, 2004; Chagas, 2006, citados em Pinho, 2010), sendo justificadas pela colaboração, partilha de recursos, desenvolvimento de materiais curriculares e desenvolvimento pessoal e profissional do professor (Chagas, 2006, citados em Pinho, 2010). O conceito de comunidade de prática online remonta a 1998, tendo origem na obra “Communities of Practice: learning, meaning and identity” de Etienne Wenger e combina três elementos essenciais: i) “um domínio de conhecimento, que define um conjunto de questões”; ii) “uma comunidade de pessoas que se interessam por esse domínio de conhecimento” e iii) “a prática colaborativa/ partilhada que essa comunidade de pessoas desenvolve para ser eficiente no domínio referido” (Wenger, McDermott & Snyder, 2002, citados em Pinho, 2010, p.13). Pode definir-se, portanto, como “um grupo de pessoas, envolvidas numa mesma prática, que comunicam regularmente entre si a propósito dessa sua prática” (Wenger, McDermott & Snyder, 2002, citados em Pinho, 2010, p.14).

Giardina e Mve sublinham que a colaboração que se estabelece entre os elementos da comunidade online, e que surge vinculada a um objetivo comum, contribui para o desenvolvimento de vínculos fortes, compensando, de certa forma, o distanciamento e a impessoalidade inerentes à prática através da Internet (1996, citados em Pinho, 2010).

A sociedade em que vivemos exige respostas da escola, que não se pode alhear do processo de mudança. Alarcão (2001, citada em Cruz, 2010) sublinha que, face a estas exigências, não é suficiente contar com professores reflexivos, que constroem individualmente um conhecimento profissional contextualizado e sistematizado, numa permanente dinâmica interativa entre a ação e o pensamento ou a reflexão, sendo antes necessário formar uma consciência coletiva, em permanente dinâmica interativa entre a ação e o pensamento ou a reflexão.

Esta ideia, sublinhada por vários autores, justifica a pertinência da unidade curricular em que estamos inseridas, pois permite-nos partilhar experiências e reflexões inseridas na prática pedagógica, promovendo o diálogo e o intercâmbio de ideias, e consequentemente, o nosso desenvolvimento enquanto profissionais da educação. Todavia, julgamos que a escassa experiência profissional e todos os condicionalismos que envolvem a prática pedagógica (a articulação com o seminário de investigação, as singularidades do contexto ou o pouco tempo disponível) não permitem que esta experiência seja mais proveitosa.

Filipa e Sónia. 

 

Referências bibliográficas 

Cruz, M. (2010). Interacções em Comunidades de Prática Online e Reflexividade Docente. Dissertação de Mestrado, Universidade de Aveiro, Aveiro

Junqueira, R. (2002).  A idade do conhecimento. Lisboa: Editorial Notícias

Kovács, I. & Moniz, A. (2001).  Sociedade da informação e emprego. Lisboa: Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional

Ministério da Ciência e da Tecnologia (1997). Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal. Lisboa: Missão para a Sociedade da Informação

Pinho, S. (2010). Papéis Sociais em Comunidades Online e sua Repercussão na Interacção. Dissertação de Mestrado, Universidade de Aveiro, Aveiro.

Rodrigues, A. (2010). A importância da Biblioteca Escolar para a Literacia da Informação: as Bibliotecas Escolares do 2º e 3º Ciclo do Distrito de Bragança. Porto: Universidade Fernando Pessoa



publicado por filipa-queiros às 13:37

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De mjoao a 11 de Dezembro de 2012 às 17:00
Viva!
A síntese efetuada é, a meu ver, relevante e está bem escrita, dado:
- clarificar o que se entende por sociedade da informação e sociedade de conhecimento, o ideal mas que não se constrói sem o envolvimento ativo de todos e requer que a informação disponível seja processada para a transformar em conhecimento produtivo ou, por outras palavras, uma aprendizagem permanente;
- referir que as redes e as comunidades online podem potenciar o desenvolvimento da denominada sociedade do conhecimento, nomeadamente dada a possibilidade de criar ambientes de diálogo e colaboração;
- fazer a ponte para a relevância dos referidos ambientes para o desenvolvimento profissional dos professores e a melhoria das suas práticas.
No entanto, a parte final deixou-me alguma inquietação, visto se poder inferir que a experiência em curso na UC podia ser mais proveitosa. Gostava de saber se esta perceção é partilhada pelas colegas e que discutíssemos o que se pode fazer de maneira a se tirar o maior proveito possível. Uma pista para reflexão pode ser atender aos elementos essenciais de uma comunidade de prática que referem. Assim, podemos questionar em que medida eles estão presentes nesta comunidade e/ou se são aplicáveis ao nosso contexto. Que dizem?
Estarei no meu gabinete, caso precisem de ajuda.
Fiquem bem!
MJL


De soniagfsantos a 14 de Dezembro de 2012 às 11:27
Olá professora,
obrigada pelos comentários. Julgamos que o tema é muito pertinente e relacionamo-nos muito com ele, pois para além da inevitabilidade das Tecnologias da Informação e do Comunicação (TIC) na sociedade em que vivemos, devemos olhar para a oportunidade que estas nos oferecem para potenciar aquilo que somos enquanto profissionais da educação. Assim sendo, o trabalho realizado permitiu-nos olhar as TIC de uma perspetiva diferente, tendo em conta o conhecimento, a renovação das práticas e o desenvolvimento profissional do professor, e não apenas a sua utilização em contexto de sala de aula. Quanto à observação que fizemos relativamente à unidade curricular, reflete o que sentimos. Consideramos que, teoricamente, esta faz sentido neste momento da nossa formação, pois seria já o nosso segundo momento de prática pedagógica e teríamos já uma pouco mais de experiência, conhecimento e maturidade para lidar com as questões que envolvem uma comunidade de prática online. Todavia, a nível mais prático, o que verificamos é pouca disponibilidade de tempo, o que nem sempre nos permite abordar os desafios que encontramos nos contextos de forma aprofundada, de modo a criar reflexões sustentadas para o blogue que contribuam para o desenvolvimento do nosso próprio conhecimento e crescimento profissional, ou para o dos nossos pares. Julgamos que este facto conduz a que não exista depois muita disponibilidade (mais ao nível da abertura) para participar de forma mais sistematizada na comunidade, pois não retiramos dela o devido “proveito” de que falávamos. Relativamente à reflexão que nos propõe e tendo em conta o que lemos acerca das comunidades de prática online, o que pensamos é que nem todas partilhamos a mesma visão da educação, nem nos posicionamos da mesma forma ao nível da ação e da reflexão (o que consideramos normal), o que, à partida, acaba por não criar o vínculo de que alguns autores falam. Contudo, nem tudo corre mal, pois considerámos importante ler alguns dos comentários realizados, pois verificámos que algumas das angústias que sentimos são comuns a algumas colegas e foi relevante perceber de que forma lidaram com elas, que estratégias encontraram ou em que autores se apoiaram para as ultrapassar ou minimizar. Para além disso, devemos encarar estes constrangimentos como desafios, percebendo também de que forma podemos aprender com eles e “fazer” melhor no futuro.
Filipa e Sónia.


De isca3534 a 13 de Dezembro de 2012 às 19:10
Olá e parabéns! Gostámos muito de ler a vossa publicação. De uma forma sucinta e clara conseguiram abordar esta temática. Em relação à questão da professora, cabe-nos acrescentar que a nossa perceção é a mesma, gostaríamos de ter mais tempo disponível para aproveitar todas as potencialidades desta comunidade. Apesar de ainda não termos refletido sobre como ultrapassar este condicionalismo, achamos importante fazê-lo. Beijinhos - Ana Gomes e Inês Silva


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