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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012
A reflexão durante o processo de escrita.

Como anteriormente tínhamos anunciado e, à semelhança de outros posts de várias colegas, iremos apresentar, no corrente post, o projeto de intervenção-ação que desenvolvemos com a nossa turma entre os dias 5 e 21 de novembro. Assim, ao longo deste post iremos descrever, em traços gerais, a nossa intervenção, intercalando esta descrição com algumas reflexões relativa a aspetos específicos observados e analisados pela nossa díade.

A intervenção-ação, concebida em conjunto com as professoras orientadoras insere-se na temática do ensino da língua, especificamente, no campo da reflexão sobre a escrita e na escrita colaborativa. Devidamente, apoiado no programa de Português para o ensino básico, que defende a promoção da reflexão em interação, orientada pelo professor, com vista à expansão e ao aperfeiçoamento dos mesmos [textos escritos] (Reis et al., 2009: 71), o nosso projeto tentou potenciar nas crianças competências de reflexão sobre a escrita e sobre a construção de textos, abordando, especificamente, um tipo de texto, o texto informativo. Apesar da sua especificidade, trabalhámos, igualmente, aspetos transversais a todos os textos, como sendo, a coesão e coerência e a conexão inter e intra frásica.

Deste modo, iniciámos o estudo do texto informativo através de uma tarefa de análise e comparação entre o texto narrativo e o texto informativo - referentes à mesma temática -, atendendo aos objetivos dos textos, à organização e categorização da informação neles contida, ao vocabulário utilizado e ao tipo de verbos predominantes. De seguida, adaptando o projeto às temáticas a desenvolver durante o 1.º período do 3.º ano do ensino básico na escola, introduzimos a temática “o passado da minha localidade”, através de um texto informativo construído pela díade em colaboração com a docente Inês Cardoso, - investigadora do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro.

Através da análise do texto referente à cidade de Aveiro, ao seu património e a diversos aspetos de interesse turístico e cultural, procurámos provocar nos alunos um alargamento vocabular, nomeadamente, através da introdução de palavra mais técnicas, ligadas, em específico, a este tipo de texto (como sendo casario, Arte Nova, património, gastronomia, entre outras). Pensamos que através da análise deste texto (do seu vocabulário, informações nele contidas e categorização das mesmas) os alunos puderam desenvolver competências e construir conhecimentos fundamentais à tarefa seguinte, que seria a realização individual de um texto informativo sobre Aveiro.

Após a escrita desses primeiros textos individuais e, decorrente de uma primeira análise com vista ao levantamento de problemáticas contidas nos mesmos, desenvolvemos uma sequência didática constituída por três módulos. Os dois primeiros módulos tiveram como foco de atuação, por um lado, o desenvolvimento da coerência dos textos, através da introdução de conectores que possibilitassem a retoma de informação e as ligações interfrásicas, e por outro, questões mais específicas dentro dos parágrafos e das frases, como sendo a concordância entre sujeito e predicado, ou a utilização de vocabulário apropriado, por exemplo.

Ambos os módulos foram trabalhados sob a dinâmica de grande grupo, explorando partes de textos retirados das produções individuais e utilizando estratégias como o questionamento constante e a reflexão sobre o que tinham feito e sobre o que deveriam ter feito. Foi possível, assim, reescrever os textos selecionados de forma colaborativa.

O trabalho em grande grupo mostrou-se muito adequado para a maioria da turma, que ao longo da tarefa se manteve muito empenhada, participativa e implicada. Contudo, sentimos que a reescrita colaborativa envolvia um esforço cognitivo muito grande, que ainda nem todas as crianças da sala conseguiam efetuar, pelo que, a dada altura, observámos um certo desinteresse por parte de alguns alunos. Sentimos, deste modo, que necessitávamos de, para alcançar os nossos objetivos com todos os alunos da turma, ter desenvolvido um trabalho diferenciado – consoante as necessidades individuais de acompanhamento -, que permitisse a todas as crianças desenvolver as competências propostas, ainda que umas mais apoiadas que outras. Mas, numa turma de 19 crianças, com um programa tão extenso como o do 3.º ano do ensino básico, como fazer este trabalho diferenciado? Onde encontrar espaço no horário para fazer um acompanhamento individualizado de que tantas vezes sentimos necessidade?

Prosseguindo a descrição da nossa intervenção-ação, o módulo seguinte da sequência didática foi a reescrita a pares, com base nos textos individualmente construídos, de um único texto informativo sobre a cidade de Aveiro. Esta dinâmica de trabalho, que tem como objetivo dividir a carga cognitiva adjacente aos processo de rescrita, bem como promover a reflexão sobre a escrita, foi gravada para que, posteriormente, possam ser analisadas as interações dos pares ocorridas durante a reescrita do texto e analisado o texto final em função dessas mesmas interações, avaliando a sua contribuição na melhoria ou não dos textos.

Finda a implementação do nosso projeto de intervenção-ação, queríamos partilhar o nosso sentimento de alma cheia, ao analisar, ainda que muito superficialmente, os resultados do último módulo da nossa sequência didática, observarmos que existiram francas melhorias em relação ao texto inicial, o que demostra a importância de praticas do ensino da língua que integrem a reflexão sobre o que escrevemos e como escrevemos.

Contudo, estamos cientes de que este tipo de estratégias - relativas à reflexão sobre a língua -, que estamos pela primeira vez a implementar, são dinâmicas muito imprevisíveis, que dependem não só de nós, enquanto professores que interpelam, mas, também, das crianças e das reflexões que são capazes de fazer.

Assim, nesta experiência - e em outras em que procurámos ativar este tipo de competências -, sentimos constantemente que “caminhamos sem corda de segurança”, o que exige de nós uma flexibilidade e adaptabilidade, que nem sempre dominamos, aumentando em nós o stress e a angústia de querer sempre fazer o melhor possível.

Todas estas questões fazem parte da nossa aprendizagem enquanto professores/educadores e, para as quais a resposta se vai construindo nas diferentes experiências e partilhas que vão acontecendo.

Beijinhos e bom trabalho!

Alexandra e Catarina

 

Referências:

 

Reis, C. (coord.) et al. (2009). Programa de Português do Ensino Básico. Lisboa: Ministério da Educação/Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular.

 


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publicado por anaafonso às 01:15

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De soniagfsantos a 6 de Dezembro de 2012 às 12:44
Gostei de ler o vosso post, pois para além de ser descritivo das atividades que desenvolveram, procura também refletir sobre a ação. Uma situação que falam é a vontade de chegar a todos e a cada um dos alunos da nossa sala de aula. A questão que colocam é pertinente, pois parece-me realmente difícil conseguir realizar trabalho individualizado com os programas tão extensos para cumprir... muitas vezes parece que simplesmente não há tempo "a perder", sendo muitas vezes esse o tempo que reflete maiores "ganhos" para a construção das aprendizagens de cada um. Todavia, acredito que esses constrangimentos se ultrapassam, por um lado, com um maior conhecimento dos alunos (o que implica conhecer as estratégias que melhor funcionam com cada um) e por outro, com uma maior experiência profissional. Contudo, muitas vezes “por alguma razão sentimos que devíamos ser perfeitos, e esquecemos que aprendemos com os erros. A necessidade de sermos perfeitos e a necessidade de controlarmos os resultados dos acontecimentos trabalham unidas para nos manterem petrificados quando pensamos fazer uma mudança ou tentar um novo desafio” (Jeffers, 1987, p.119). O segredo para ultrapassar esta situação é posicionarmo-nos num “modelo de não-derrota” (Jeffers, 1987, p.121), encarando os nossos processos de escolha sempre como oportunidades de aprendizagem e de crescimento. Penso que vocês se posicionam neste modelo, pois apesar das dúvidas, continuam a mobilizar-se para a ação, mesmo que esta seja muitas vezes revestida de incerteza. Parabéns pelo trabalho e boa sorte na vida futura, repleta de desafios! Sónia S.

Jeffers, S. (1987). Apesar do medo. Lisboa: Sinais de Fogo.


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