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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012
Caracterização da realidade pedagógica reformulada

 Olá a todas de novo. Voltamos à caracterização do contexto em que estamos inseridas, a turma B do 4º ano da Escola Básica do 1.º Ciclo das Barrocas. O primeiro post que colocámos foi intencionalmente de caráter mais pessoal, todavia, percebemos as vossas dúvidas e reformulamos a caracterização, de modo a que possam ter uma perceção mais clara do contexto. Em breve, falaremos mais acerca das nossas reflexões acerca das vivências construídas e anexaremos uma descrição das atividades que temos feito ao nível dos projetos de intervenção-investigação.

 

A turma B do 4.º ano de escolaridade da Escola Básica do 1.º Ciclo das Barrocas insere-se no Agrupamento de Escolas de Aveiro, recentemente transformado em Mega-Agrupamento. Relativamente à escola que a turma frequenta, a Escola Básica do 1.º Ciclo das Barrocas, sublinhamos que foi construída em 2000, situando-se na freguesia da Vera Cruz, nas Agras do Norte em Aveiro.

 

A turma B é constituída por 20 crianças, 11 do sexo feminino e 9 do sexo masculino. É um grupo homogéneo ao nível etário tendo quase todas as crianças nove anos e apenas dez anos. As crianças são na maioria da cidade de Aveiro e as restantes estão divididas pelas freguesias mais próximas da cidade, sendo que apenas uma três vivem em concelhos vizinhos. Esta situação por vezes altera-se nos casos em que os pais estão divorciados e as crianças estão uma semana com o pai e uma com a mãe e, neste caso, vivem em sítios diferentes. Os pais das crianças trabalham em diversos setores sendo que os mais significativos são a educação, os serviços, a saúde,  e o comércio. De salientar que 14% dos pais está desempregado, sendo num desses casos por invalidez. A nível da situação familiar, 13 crianças vivem com os pais que são casados, seis vivem alternadamente com o pai ou a mãe que estão divorciados e uma vive com a mãe e os avós, pois é uma família monoparental (família adotiva). Das 20 crianças, 70 % tem apenas um irmão, 20% não têm irmãos e apenas 10% têm mais que um irmão. Analisando a turma em termos das atividades que frequentam, concluímos que grande maioria frequenta todas as AEC’s, sendo que dois alunos não frequentam qualquer atividade. A maior parte não frequentam o ATL mas existe uma panóplia de atividades que ocupam as crianças fora da escola e do ATL, destacando-se a Natação e a Música. Apenas quatro crianças da turma não estão envolvidas em nenhuma atividade, o que faz indiciar que os alunos, de forma geral, têm pouco tempo livre.

 

No grupo vive-se um clima geral de bem-estar, segurança e entreajuda, possivelmente pela existência de crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) que requerem mais cuidados e ajuda e, com as quais, alguns alunos do grupo têm uma relação próxima, quase de proteção. Das duas crianças com NEE, uma apenas está com a turma nos intervalos e nas sessões de expressões, biblioteca, passando o dia na Unidade de Multideficiência, onde usufrui de terapia da fala ocupacional e psicomotricidade.

 

No que respeita à relação das crianças com os adultos, nota-se que os alunos confiam na professora, sentindo-se confortáveis na sala. Todas as crianças têm a atenção da professora, podendo chamá-la sempre que necessitam e sendo motivados a participar. Contudo, a professora demonstra sempre maior preocupação pelos alunos com mais dificuldades em se concentrarem, alunos com problemas de comportamento ou dificuldades a nível cognitivo.

 

A iniciativa e a autonomia estão presentes na sala de aula, uma vez que a professora ouve sempre as opiniões e sugestões dos alunos e promove que sejam o mais autónomos possível. Isto denota-se na própria gestão das rotinas da sala, uma vez que não existe uma tabela de tarefas impressa. Assim que começa a aula, os alunos, por si, organizam-se pela escala das tarefas, sem precisarem normalmente de recorrer à ajuda da professora. A iniciativa e a autonomia estão também presentes ao nível das aprendizagens, uma vez que a professora incentiva que levem os manuais para casa para estudarem autonomamente e valoriza quando o fazem. Os alunos trazem também por sua própria iniciativa recursos para a sala de aula, nomeadamente, livros respeitantes a determinado tema. Geralmente é a professora quem decide o que se vai fazer na sala de aula, mas esta procura sempre ouvir os seus alunos, organizando o dia de acordo com os seus interesses e necessidades. Reage, portanto, com naturalidade às questões e sugestões dos mesmos. As crianças são responsabilizadas de diversas formas, sendo isso notório na relação que a professora desenvolveu com as mesmas. Esta é bastante genuína e procura sempre potenciar aquilo que possuem de bom, mas trabalhar para que ultrapassem as suas dificuldades. Quando existem compromissos, a professora procura que as crianças cumpram, desenvolvendo esse sentido de responsabilização em cada uma delas, pois, tal como afirmou, numa situação: “os alunos possuem direitos, mas também deveres”.

 

Ao nível da resolução de problemas, esta geralmente é feita tendo em conta o diálogo. A professora faz questão que as crianças percebam o porquê de determinadas coisas, opta também por ouvir ambas as partes, para que fiquem com o sentido de justiça, conversando, ao nível da turma, sobre qual a solução mais acertada para o problema. As regras da sala de aula estão definidas desde que a professora acompanha a turma, mas como é uma turma do 4.º ano estas já não se encontram afixadas. Todavia, são recordadas pela professora, sempre que necessário. Não sabemos como estas foram definidas mas, muitas vezes, são comunicadas, com a professora a solicitar aos alunos que as refiram, quando, por exemplo, alguma delas não está a ser cumprida.

 

Geralmente as crianças trabalham individualmente, contudo, é uma preocupação da docente que estas realizem mais trabalho a pares e trabalho de grupo, tendo potenciado que tal aconteça. Notamos que as crianças têm dificuldade em trabalhar em grupo, não percebendo as dinâmicas de funcionamento e não se conseguindo organizar devidamente. Algumas delas referiram-nos, durante a observação, que não gostam de trabalhar desta forma. Alguns alunos da turma são bastante competitivos, pelo que não lidam muito bem com o desacordo e a diferença de opiniões. As crianças opinam, muitas vezes, em partido dos seus amigos, não raciocinando sobre o que realmente pensam sobre determinada questão.

 

Segundo a professora da turma, não existe muita interação com os encarregados de educação, não só pelas próprias dinâmicas de funcionamento da escola, que “obrigam” que os pais deixem os filhos no portão da escola, mas também por ser difícil fazer essa articulação.

 

Em breve, daremos notícias quanto às nossas reflexões, incluindo também algumas atividades que já realizámos no âmbito dos projetos de intervenção-investigação.

Filipa e Sónia. 



publicado por filipa-queiros às 11:30

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De amramos a 30 de Novembro de 2012 às 11:27
Olá Filipa e Sónia!
Gostámos de saber que a vossa professora promove a iniciativa e a autonomia dos alunos, uma vez que, à luz do que fomos vivendo ao longo das práticas pedagógicas, sabemos que é uma parte importante do processo de aprendizagem.
No entanto surgem-nos algumas dúvidas, relativamente a algumas questões que vão refletindo:
• Referem que o clima de bem-estar e de entreajuda é, possivelmente, devido à presença de crianças com NEE, mas será que, neste momento, não identificariam outros fatores? Ou estariam a falar apenas das relações entre essas crianças e as restantes?
• Apesar do referido clima de bem-estar e de entreajuda, expõem a dificuldade na realização de trabalhos de grupo, que, naturalmente, requer esse tipo de interação.
A reflexão que nós temos feito, considerando o que vivemos no nosso contexto, é que não basta juntar as crianças e dar-lhes tarefas para executarem em grupo, esperando que as interações surjam “naturalmente”. Antes de mais, há que ensiná-las a trabalhar em grupo. Tal como as crianças pequenas aprendem a partilhar, porque o adulto lhes vai mostrando como se faz, também aqui se deve verificar o mesmo.
O confronto com as diferentes ideias é sempre difícil e, nem sempre trabalhamos em grupo com quem mais queremos, por isso, importa que saibamos apoiar as crianças para que elas construam conhecimento sobre como lidar com essas situações (o produto final deve ser resultado do consenso do grupo e não a soma das opiniões da maioria, como alguns dos nossos ainda teimam em fazer). Connosco tem resultado, a curto-prazo, a mediação do conflito, como aprendemos para o nível pré-escolar. Também optamos por diversificar os tipos de trabalho: individual, em grupo, a pares, a turma dividida em dois…Quais os efeitos a longo prazo? Infelizmente, não estaremos com eles até ao fim do ano letivo para podermos avaliar…
E vocês, como têm lidado com esta realidade? Que estratégias têm utilizado?
Bom trabalho!
Alexandra e Ana Catarina


De soniagfsantos a 6 de Dezembro de 2012 às 14:31
Olá Alexandra e Catarina,
o que queríamos dizer é que os alunos NEE contribuem para evidenciar a entreajuda, que existe noutras situações. Todavia, em relação aos trabalhos de grupo realmente é difícil que os alunos trabalhem de forma colaborativa. Concordamos, tal como já tínhamos referido num comentário anterior, que realmente não basta juntar os alunos para significar que consigam trabalhar em grupo. As nossas estratégias, passam por uma intervenção mais assertiva por parte do adulto e também por discutir com eles, antes e após o trabalho acerca de como fazer e que estratégias utilizar, mas depois também refletindo sobre o que correu melhor e pior, incitando os próprios alunos a apresentarem sugestões. Ainda esta última semana esta situação se verificou. Realizámos um trabalho de grupo que não correu da melhor forma (sobretudo pelas restrições de tempo e pela gestão da atividade realizada) mas a reflexão posterior sobre o mesmo foi bastante proveitosa. Não só os alunos reconheceram as dificuldades e os constrangimentos que aconteceram, como foram muito perspicazes a apresentar soluções. Conseguiram ser auto-conscientes e críticos face ao que se tinha passado, o que nos surpreendeu bastante pela positiva. Isso demonstra que, para além de ser um processo, estas estratégias vão dando os seus frutos. É também nestes momentos que sentimos que os alunos estão verdadeiramente envolvidos na construção das suas próprias aprendizagens e que faz todo o sentido trabalhar conteúdos, mas também capacidades, atitudes e valores. Obrigada pelos comentários, Filipa e Sónia.


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