Pelos comentários tecidos pelas colegas no nosso primeiro post sobre o trabalho colaborativo, e mesmo pelos post de algumas colegas (Cláudia Rosa e da Sara Neves* e da Ana Pombeiro e Tânia Veloso*), que já comentamos, concluímos que talvez não tenha ficado muito clara a distinção entre colaboração e cooperação. Considerámos que esta distinção é fundamental para falarmos em trabalho colaborativo, daí postarmos o texto que se segue.
Contrariamente ao que muitas vezes julgamos “ […] O simples facto de diversas pessoas actuarem em conjunto não significa que se esteja, necessariamente, perante uma situação de colaboração.” (Boavida & Ponte, p. 3)
Numa tal situação, os papéis dos parceiros podem ser diferenciados. Se estivermos perante um grupo com um forte cariz hierárquico, então não estamos perante uma situação de trabalho colaborativo. Se falamos de colaboração, os intervenientes trabalham numa base de igualdade e de ajuda mútua, de modo a aprofundarem reciprocamente o seu conhecimento.
Fazendo um ponto de comparação entre cooperação e colaboração, “Day refere que enquanto na cooperação as relações de poder e os papéis dos participantes no trabalho cooperativo não são questionados”. Relativamente à colaboração, esta “ […] envolve negociação cuidadosa, tomada conjunta de decisões, comunicação efectiva e aprendizagem mútua num empreendimento que se foca na promoção do diálogo profissional.” (Day in Boavida & Ponte, p. 4).
Também no sentido de esclarecerem a diferença entre a colaboração e a cooperação, Ponte e Boavida vão à origem das palavras trabalhar (laborare) e operar (operare), que resultam, com o prefixo co, nos termos colaborar e cooperar. Assim, se examinarmos o significado de cada um dos termos podemos compreender melhor a diferença:
“ Operar é realizar uma operação, em muitos casos relativamente simples e bem definida; é produzir determinado efeito; funcionar ou fazer funcionar de acordo com um plano ou sistema. Trabalhar é desenvolver actividade para atingir determinados fins; é pensar, preparar, reflectir, formar, empenhar-se. O plano do trabalho pode não estar completamente determinado antes do início do trabalho, da laboração. O que o orienta são os objectivos a alcançar tendo em conta os contextos naturais e sociais em que o trabalho é desenvolvido. Deste modo, trabalhar pode requerer um grande número de operações que, muitas vezes, não estão totalmente previstas e planificadas, e que se entrelaçam em situações muito variadas algumas das quais de grande complexidade. É natural assumir, assim, como o fazemos neste artigo, que a realização de um trabalho em conjunto, a co-laboração, requer uma maior dose de partilha e interacção do que a simples realização conjunta de diversas operações, a cooperação.” (p.4).
Portanto podemos dizer que colaborar não é o mesmo que cooperar, contudo o trabalho colaborativo pode envolver a realização de determinadas operações conjuntamente, ou seja, pode envolver trabalho cooperativo.
Apresentamos então uma pequena listagem de algumas características relativas à colaboração e à cooperação, de forma a melhor compreendermos as suas diferenças.
Colaboração | Cooperação |
Negociação cuidadosa Base de igualdade Tomada conjunta de decisões Comunicação efetiva Aprendizagem mútua Promoção do diálogo | Relações de poder Diferentes papéis Possivelmente hierárquica |
Referência:
Boavida, A M. & Ponte, J. P. (2002). Investigação colaborativa: Potencialidades e problemas. In GTI (Org), Reflectir e investigar sobre a prática profissional (pp. 43-55). Lisboa: APM.