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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012
Algumas inquietações....

Tal como algumas colegas, achamos conveniente, nesta fase da prática pedagógica apresentar, em primeiro lugar, o contexto educativo onde estamos a desenvolver as nossas intervenções para, posteriormente, refletir sobre algumas questões que nos inquietam.

Encontramo-nos no Agrupamento de Escolas de S. Bernardo (Aveiro), a trabalhar – ou a aprender a ensinar -, com a turma do 3.º A da E.B. 1 de São Bernardo. É uma turma de alunos muito participativos, interessados e com gosto pela descoberta. Com idades compreendidas entre os 8 e os 9 anos, provêm, essencialmente, de famílias ditas “tradicionais” (pai, mãe e irmão(s)), de classe média alta, embora existam alguns casos de famílias monoparentais.

Os pais, empregados sobretudo na área dos serviços, possuem maioritariamente estudos de nível superior, sendo que, por norma, conseguem acompanhar e apoiar a aprendizagem dos filhos, estímulo este que, parece promover, de uma forma geral, o gosto pela aprendizagem e a curiosidade pela maioria dos conteúdos abordados em sala de aula.

Desde o primeiro ano que esta turma, acompanhada sempre pela mesma docente, está habituada a trabalhar em grupos de três elementos, que funcionam, habitualmente, durante 3 semanas, dando desta forma oportunidade a todas as crianças de serem “chefes de grupo”. Este cargo inclui funções de diversos tipos, desde a participação ativa na avaliação diária dos restantes colegas de grupo, até à execução de tarefas destinadas ao representante do grupo, passando pela moderação do trabalho de grupo, nomeadamente das decisões a tomar.

De realçar, ainda, que, apesar de a disposição das mesas na sala ser a de seis grupos de três elementos, também existe tempo para o trabalho individual.

Assim, muito do trabalho que temos vindo a desenvolver com a turma tem privilegiado esta forma de estar em sala de aula, com o objetivo de promover atitudes de cooperação e entreajuda no grupo. Contudo, verificamos que existe, nestes alunos a ideia prévia de que trabalhar em grupo é obedecer a um líder, ou chegar a um produto concebido apenas pela maioria – reflexo de um certo espirito de competitividade e de algum individualismo patente em muitas das crianças da turma. Desta forma, temo-nos deparado com o desafio de ir experimentando diferentes estratégias, para que haja construção de uma colaboração efetiva. As estratégias têm passado por acompanhar os trabalhos em grupo, com mediação de alguns conflitos ou divergências, pela qual procuramos fazer entender possíveis caminhos de resolução de conflitos dentro do grupo. Ainda, procuramos que cada elemento do grupo tenha acesso aos mesmos recursos (por exemplo, todos têm a sua folha de registo para aquele trabalho).

No entanto, ao refletirmos sobre os resultados destas práticas, verificamos que a construção da colaboração – entendida aqui como um esforço de todos, em conjunto, para alcançar um objetivo comum -, é um processo moroso e complexo, cujos resultados tardam. Questionamos então: como criar efetivas dinâmicas colaborativas na sala de aula, em que existe uma aprendizagem apoiada, se todas as grandes orientações (no que respeita a testes, exames, conteúdos, horários), na prática, refletem um caminho de competitividade em vez de colaboração? Como fazer entender a uma criança que o que interessa é o caminho que percorre, se depois, lhe exigem que tire a melhor nota, que seja o melhor de todos?

Outro grande desafio tem sido a criação de um espaço (tempo) para o desenvolvimento da área das expressões, tentando conjuga-la com conteúdos de Língua Portuguesa, Matemática ou Estudo do Meio. Deste modo, tentamos, despertar para as artes, desenvolver a criatividade e a imaginação, providenciando, ao mesmo tempo, uma abordagem mais apelativa e interessante aos conteúdos das restantes áreas.

Acreditamos que esta vertente lúdica, bem como, o desenvolvimentos de áreas como a expressão plástica e a expressão motora são fundamentais ao desenvolvimento holístico das crianças, uma vez que lhes permite descobrir as suas potencialidades, os seus limites, os seus gostos, desenvolver o espírito crítico e a capacidade de tomar decisões.

Considerando que o Pré-escolar e o 1.º Ciclo do Ensino Básico constituem grandes oportunidades para a exploração da criatividade, considerando que os ciclos de estudo seguintes apresentam uma maior “formatação” no ensino das artes, como se pode incluir, de forma consistente, o trabalho em torno das expressões? Sentimos que é sempre “a correr”, ou então para ocupar “tempos mortos”…

Partilhámos algumas das nossas dúvidas e inquietações, gostaríamos de saber se estamos “sozinhas” nesta perceção do ensino…

Bom trabalho!

Alexandra Ramos e Ana Catarina Sousa



publicado por amramos às 22:47

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De anacarvalho a 10 de Novembro de 2012 às 12:46
Olá!

Gostei muito do vosso post, fazem uma boa reflexão sobre as vossas inquietações e não ficaram só por pensamentos e já aplicaram algumas estratégias para as solucionar ou pelo menos tentar solucionar.

Relativamente às expressões concordo e partilho essas mesmas inquietações… no semestre passado, quando estive inserida no 1º CEB também me interroguei muitas vezes sobre o trabalho em expressões. Era pouco profundo, ficava muito “no ar” e existiram semanas em que nem eram exploradas! A conclusão que tirei é que se o professor não está sensibilizado para a importância do trabalho em expressões é muito difícil nós tentarmos fazer alguma mudança nessa área e na visão que o professor tem dela no curto espaço de tempo da prática pedagógica.

Fica o desabafo…

Bom trabalho!
Beijinho
Patrícia


De coutinho-pereira a 10 de Novembro de 2012 às 17:19
Olá meninas =)

Devo dizer que gostei muito de ler a vossa reflexão.
Antes de mais, eu e a Sara estivemos no mesmo contexto o semestre passado (como vocês sabem), e sentimos o mesmo.
Não há espaço para as expressões, para se explorar o lado artístico, pois urge cumprir as metas definidas, porque o importante é que saibam contar até mil em três segundos e que leiam quinhentas palavras em meio minuto! (Perdoem-me o sarcasmo...) E atenção, acredito que isto é o que se passa em grande parte das nossas escolas.
E no meio disto fica esquecida a importância das artes, e de explorar a criatividade e a imaginação. Esquece-se que essa é uma forma de promover a sensibilidade e mesmo de explorar emoções e sentimentos. É uma forma de cada criança explorar e conhecer o seu "EU" (que também envolve a relação com os outros), e de aprender que pode e deve afirmar a sua individualidade, no respeito pelos outros. E estas são apenas algumas das vantagens das expressões.

Sentimos também essa questão do trabalho colaborativo, que é colaborativo apenas de nome. E aí está outro aspecto que considero fundamental para que as crianças aprendam valores basilares, como o respeitar a opinião do outro, o apoiar o outro na resolução das suas dificuldades, a partilha das opiniões.
Mas penso que o que acontece no contexto é uma certa confusão entre colaboração e cooperação, ou seja, as crianças realizam um trabalho através da divisão de tarefas. Isso dá aso a que as mesmas crianças fiquem sempre com as mesmas tarefas e por vezes algumas consideram que não sabem fazer isto ou aquilo e outras que são as melhores a fazer isto ou aquilo. A partir daí há ciclo vicioso em que a competitividade aumenta cada vez mais.
Penso que vocês podem tentar mediar os trabalhos de grupo incentivando as crianças a tentarem fazer o que pensam que não capazes, fomentando o apoio mútuo dentro de cada grupo. Tentem que as crianças discutam os conflitos e as dúvidas entre elas. No fundo o trabalho colaborativo é isso mesmo.

Gostava de poder ajudar-vos mais. Mas o meu conselho é: não desistam! E mesmo que cheguem ao fim e não esteja tudo perfeito, certamente estará um pouquinho melhor. O oceano não existiria se não fossem as gotinhas de água =)
E afinal, a mudança começa por nós próprios.

Um beijinho e boa sorte nessa batalha ;)
Joana


De anaafonso a 11 de Novembro de 2012 às 15:09
Muito obrigada pelos vossos comentários, são uma das várias fontes de energia e amimo para enfrentar as dificuldades e os obstáculos com que nos deparamos todos os dias durante a prática pedagógica. Contudo, esta constante luta não tem só obstáculos, tem também muitas vitórias, observadas através da alegria e do gosto em aprender que transparecem nos meninos com quem temos vindo a trabalhar. É neles que nos inspiramos e por eles que esforçamos para alcançar um ensino mais dinâmico e de qualidade.
Quanto às questões que aqui debatemos, nomeadamente, a integração das artes nas atividades desenvolvidas, temos tentado fazê-lo de através da interdisciplinaridade, ou seja, através das artes tentamos desenvolver competências de outras áreas, como a matemática ou o estudo do meio. Outras vezes, as artes servem de mote para o início do estudo de outras áreas, ou mesmo como forma de registo dos conhecimentos adquiridos. Contudo, mesmo nestas situações sentimos as crianças muito “presas”, com pouca criatividade e muito dependentes da nossa ajuda, pois têm receio de experimentar pois podem, eventualmente, errar.
Ao longo da nossa prática temos tentado quebrar essa barreira e fomentar a participação e experimentação, mostrando que errar é normal e que não há problema nisso, pois muitas vezes é errando e experimentando que melhor se aprende.
Por fim, quanto ao trabalho de grupo, sentimos que há um longo caminho a percorrer, mas estamos certas de que as sementes que agora lançarmos, se regadas e bem cuidadas, com o tempo darão frutos, ou seja, as estratégias de trabalho colaborativo que agora desenvolvermos com estas crianças, permitiram mais tarde um efetivo trabalho de grupo, onde todos os elementos são fundamentais e participam de forma ativa na construção de conhecimentos e competências.
Mais uma vez muito obrigada pelos comentários, ficamos à espera de mais .


De Cláudia Rosa a 11 de Novembro de 2012 às 18:13
Olá meninas.
Também gostei muito de ler o vosso post e todos os comentários que a ele foram feitos.
De facto, eu e a Sara também estivemos no 1º CEB no semestre passado e também notámos que as crianças não estão habituadas aos trabalhos de grupo e à participação de cada um q este envolve. Parece ser o mesmo q acontece no pré-escolar.
Já propusemos algumas tarefas a pares e grupos maiores, mas, sigo as palavras da Joana Coutinho, não devemos desistir. O que estudamos e aprendemos na universidade não parece a realidade a que assistimos. No entanto, tudo pode começar por nós! Vamos as pouquinhos e, como a Joana disse, se fizerem por acompanhar mais os diferentes grupos e tentando "baralhar" de alguma forma esses hábitos repetitivos (serem sempre os mesmos a fazer uma determinada tarefa ou a serem os líderes), penso que conseguirão.
Quanto às atividades de expressões, sempre fui apologista que se deve dar grande ênfase a essa parte, no entanto, perante toda a programação que temos de cumprir, acabamos por desanimar. Contudo, penso que devemos tentar integrar essas atividades mais dinâmicas ao longo das atividades mais formais, ou seja, tentar contextualizar algumas atividades na temática a abordar, pois as crianças gostam muito da área de expressões e não é uma área que deva ser posta de lado, pois pode proporcionar grandes aprendizagens.

Obrigado pela vossa partilha,
continuação de boas práticas :)


De filipa-queiros a 15 de Novembro de 2012 às 10:32
Adorei a vossa reflexão acerca do contexto.
As artes são um desafio e por isso criamos pequenos artistas quando as conseguimos desenvolver nas escolas.
Comecem por pequenos gestos e a sensibilização tornar-se-á rapidamente em ação. Se as crianças tiverem o "bichinho" procurarão mais. A criatividade e imaginação também se treinam :) Vejam a brochura sobre "Artes no Jardim de Infância" que apesar de ser para outro público se adequa e vão vocês alimentando-se também de arte. Vão ao teatro, a uma exposição ou leiam sobre isso. Um beijinho e bom trabalho (já sei que o é) :)


De isca3534 a 15 de Novembro de 2012 às 19:11
Olá!
O vosso post está muito claro e expressivo, parabéns!
Como podem ver não estão sozinhas e o que estão a sentir faz parte do nosso processo de aprendizagem enquanto futuras Educadoras e Professoras, quanto mais experiências e emoções diferentes vivermos, mais aprendemos.
Partilho da mesma opinião que vocês quando falam das expressões, também passei pela mesma experiência, tentava-lhes reservar mais tempo no plano de aula, mas na prática eram sempre as do final do dia, que algumas vezes não eram implementadas porque já não havia tempo. Então o que passei a fazer, como também referiram, foi recorrer à interdisciplinaridade, mas em vez de partir das expressões para a matemática e para a língua portuguesa, verifiquei que era melhor aceite ao contrário. Planificava as atividades de matemática e língua portuguesa a partir das expressões, por exemplo ao trabalhar as figuras geométricas ou os sólidos, cada criança construía de raiz um objeto que ela decidia, seria válida qualquer escolha desde que justificada, baseada apenas em figuras e/ ou sólidos geométricos. Esta atividade resultou bem, mas poderia ter corrido melhor se tivesse optado por trabalharem em par ou em grupos de 3, em vez de individualmente, algumas crianças com menos ideias no momento tentaram copiar a ideia do colega. Criaram objetos de todo o tipo, mais simples, uma bola de futebol e outros mais elaborados, robots. Os trabalhos eram feitos apenas com material reciclado que lhes era colocado à disposição.


De soniagfsantos a 18 de Novembro de 2012 às 13:38
Olá Alexandra e Catarina,
realmente muitas das inquietações que partilharam, são comuns a mim e à Filipa. Em relação ao trabalho de grupo, não importa apenas fazê-lo, mas antes ensinar como o fazer. Uma das estratégias que utilizamos é dialogar com a turma antes e depois de um trabalho, distribuindo guiões para que consigam focar a sua atenção em determinados aspetos. É, de facto, difícil que consigam trabalhar de forma colaborativa, pois geralmente um trabalho de grupo é apenas a soma de várias partes. Em relação às carências ao nível das Expressões, sentimos o mesmo. Por vezes é frustrante, mas julgo que temos também de encontrar formas de trabalhar a criatividade e a expressiva de forma mais transversal, nas outras áreas disciplinares. Aconselho o livro "O elemento" de Ken Robinson, que fala sobre estas temáticas... boa prática:)! Sónia S.


De catia lopes a 21 de Novembro de 2012 às 16:57
Olá Alexandra e Catarina.

Gostei muito de ler a vossa reflexão.
Gostava de saber como tem corrido o desenvolvimento do trabalho em grupo com estas crianças, uma vez que vocês dizem que existe um determinado espírito de competitividade e de individualismo.
Em relação às expressões, no semestre passado não senti que fossem colocadas de parte, uma vez que a professora da sala valorizava bastante as expressões artísticas e motoras principalmente. Conseguimos sempre conjugar as expressões artísticas com todas as outras áreas conseguindo assim desenvolver as aprendizagens pretendidas e outras mais.
Espero que esteja a correr tudo bem ;)
Bom trabalho e um beijinho.

Cátia Lopes


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