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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012
Gestão de comunidades de aprendizagem online vs papel dos pares (co-supervisão/feedback)

 - Gestão de comunidades de aprendizagem online

            Segundo Loureiro e outros (2009), a inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação na educação veio provocar mudanças na forma como os docentes promovem o seu desenvolvimento a nível profissional. Desta forma, começaram as ser constituídas comunidades de aprendizagem online de professores, tendo estas comunidades como principais objetivos, a partilha de saberes e de experiências na construção e na inovação das práticas.

            Para que estas comunidades tenham êxito são determinantes elementos como a tecnologia, a confiança, a capacidade de comunicação e de socialização, o tempo, a liderança, o sentimento de pertença e o entendimento entre todos os membros da comunidade.

            Conforme a opinião de Vavasseur (2006), citado por Loureiro e outros (2009), podemos verificar que interesses comuns e o desenvolvimento profissional unem os docentes e funcionam como motivações para que estes participem nas comunidades online de professores. Além disso, as tecnologias permitem a participação em comunidades de âmbito geograficamente mais alargado, libertando os seus membros das barreiras espácio-temporais.

            Gannon-Leary e Fontainha (2008), citados por Loureiro e outros (2009) referem também alguns fatores como sendo imprescindíveis para que uma comunidade de professores online tenha sucesso, os quais vão ao encontro da linha de pensamento de Loureiro e outros (2009), a saber:

- Tecnologia;

- Confiança;

- Comunicação;

- Tempo;

- Liderança;

- Socialização;

- Sentido de pertença;

- Entendimento comum.

            Então, a tecnologia e a sua usabilidade são um fator de sucesso numa comunidade de professores online, já que esta necessita de uma infraestrutura que inclua ferramentas de comunicação instantânea e assíncrona, bem como diversos dispositivos de organização.

            A confiança é outro fator crítico de sucesso, pois uma comunidade só pode crescer se existirem relações de confiança estabelecidas. As relações de confiança podem ser de vária ordem: na tecnologia, na liderança, no conteúdo ou nos membros que constituem a comunidade.      A liderança, por seu lado é também apontada por Gannon-Leary e Fontainha (2008) como essencial numa comunidade online. Segundo Miranda e Osório (2008), o papel do líder é determinante para a manutenção da comunidade de professores, sobretudo quando falamos de um ambiente virtual no qual a promoção de interações é fundamental.

            Conforme Andrews e Schwarz (2002), citados por Loureiro e outros (2009), quando os membros de uma comunidade online conhecem os elementos que a constituem, a confiança e as relações pessoais desenvolvem-se mais facilmente, por isso os momentos de socialização são importantes.

            Por fim, o sentido de pertença é outro fator crítico de sucesso e, conforme Brown & Duguid (2002), citados por Loureiro e outros (2009), fazer parte de uma comunidade online de prática não é suficiente para pertencer a ela. Os membros devem ter a noção de que pertencem à comunidade e que são importantes. Esta noção presume que a aprendizagem não ocorra apenas porque se tem acesso a conteúdos mas também porque se participa ativamente na comunidade.

 

- Papel dos pares nas comunidades de aprendizagem online

-Estar recetivo para receber e dar feedback acerca de qualquer questão inerente ao processo de ensino e aprendizagem;

-Incentivar e promover o debate, a partilha, a exposição de expectativas e constrangimentos;

- Mostrar disponibilidade para apoiar o outro na organização de todo o processo (calendarização, discussão e seleção de estratégias, recursos, formas de monitorização, avaliação e reflexão);

- Dar oportunidade ao outro de expor as suas dúvidas, receios e outras questões que, eventualmente o preocupem;

- Criticar positiva e negativamente, através de sugestões e de elogios ao trabalho realizado pelo outro.

De acordo com o conjunto de ideias supramencionado, podemos perceber que a validação e o reconhecimento do nosso trabalho pelos nossos pares são essenciais para que possamos progredir. Dito de outro modo, se, por um lado, o conhecimento humano não faz sentido sem o conceito de comunidades, por outro lado, o conhecimento humano evolui a partir do reconhecimento e da validação dos nossos pares nas comunidades das quais participamos (Terra, 2003).

Considerando que a supervisão visa o aperfeiçoamento das competências de ensino, sendo uma ferramenta para testar, corrigir e refinar práticas pedagógicas na sala de aula, o papel dos pares é fundamental em todo este processo. A supervisão por um par implica que “[…] o observador e o observado sejam mais nivelados em termos de estatuto, experiência e competências”, implicando um grau menor de formalismo e promovendo, à partida, um ambiente de observação mais descontraído (Henriques, 2010, p. 2).  Para além disto, pressupondo-se que existe um maior grau de empatia entre observador e observado, as análises e discussões concretizadas entre pares conduzirão a conclusões mais frutíferas.

Este tipo de supervisão, a supervisão por pares ou entre pares, é definido por Alarcão e Roldão (2008), citadas por Henriques (2010), como supervisão horizontal, uma vez que acontece entre sujeitos que se encontram no mesmo patamar de formação.

A supervisão do trabalho pedagógico entre pares deverá contribuir para o desenvolvimento de capacidades profissionais decorrentes de um processo dialógico e analítico adaptado a cada realidade pedagógica. Sendo um processo que considera o contexto educativo deverá fazer-se na ação, mas também na reflexão acerca da ação, através da crítica e do diálogo construtivos.

Assim, o papel dos pares nas comunidades de aprendizagem online será contribuir para a formação e reflexão dos sujeitos que se encontram no mesmo patamar, contribuindo com sugestões e práticas que visem a resolução de problemas e o desenvolvimento profissional dos mesmos.

 

- Bibliografia

- Loureiro, A. et al. (2009). Factores Críticos de Sucesso em Comunidades de prática de Professores Online.

- Henriques, M. C. (2010). Supervisão inter-pares: um percurso colaborativo de formação. Lisboa: Instituto Politécnico de Lisboa.

- Brito, M. G. C. (2009). A supervisão no âmbito do Programa de Formação Contínua de

- Professores: reflexão de uma formadora. In Interacções (12, pp. 87-95). Santarém: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém.

- Terra, J. C.C. (2003). Comunidades de Prática: conceitos, resultados e métodos de gestão. Terra Forum Consultores.

 

 

Ana Pombeiro e Tânia Veloso

 



publicado por t-soraia às 20:39

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De coutinho-pereira a 23 de Novembro de 2012 às 12:29
Olá Ana e Tânia!
Julgo que é importante a questão que referem de que os membros são importantes na vida da comunidade, pois para além de terem acesso a diversa informação, contribuem ativamente para a construção da comunidade. Concordo com esse ponto e julgo mesmo que todos devem contribuir e colaborar, criticando e questionando (construtivamente, claro!) a informação partilhada; e partilhando nova informação, que possa ter interesse para a dinâmica e para os membros da comunidade.
Não percebi qual é o papel do líder, qual é concretamente o seu papel na manutenção e na promoção das interações? O líder está numa posição hierárquica superior aos restantes membros? A comunidade constrói-se a partir da colaboração ou da cooperação?
Quando falam do papel dos pares referem o incentivo e promoção do debate e da partilha. Então é mesmo necessário um líder para que isso aconteça, ou essa interação acontece partindo dos “pares”?
Os aspetos que referem quanto à supervisão são relevantes. No entanto, penso que não ficou clara a ligação entre a supervisão e a comunidade online. Porque é que ela aparece?

Continuação de bom trabalho,
Joana


De ana-pombeiro89 a 28 de Novembro de 2012 às 17:20
Olá Joana!
Com este comentário pretendemos responder às questões que colocaste relativamente ao nosso post.

1. Não percebi qual é o papel do líder, qual é concretamente o seu papel na manutenção e na promoção das interações? O líder está numa posição hierárquica superior aos restantes membros?

R: No nosso entender, o líder não se encontra numa posição hierárquica superior à dos restantes membros da comunidade online. O papel do líder será, essencialmente, promover as interações entre os membros do grupo, aguçando o seu sentido crítico, colocando questões e fazendo sugestões. No fundo, se concretizarmos esta ideia com um exemplo, podemos facilmente perceber quem assume o papel de líder na nossa suposta comunidade online, a professora. Este papel é assumido pela professora na medida em que esta é que nos conduziu à partilha de ideias e de informação face a um determinado foco. O que vai totalmente ao encontro das palavras de Miranda e Osório (2008), citados no nosso post.


2. A comunidade constrói-se a partir da colaboração ou da cooperação?

R: No que respeita à questão colocada acerca da comunidade se construir partindo da colaboração ou da cooperação, consideramos que ambos os termos se complementam e não são, de todo, dissociáveis. Portanto, pensamos que não podemos afirmar que uma comunidade, neste caso, online se constrói apenas a partir da colaboração ou apenas a partindo da cooperação. É preciso participar ativamente na comunidade online mas, por outro lado, também é necessário que haja entreajuda entre os membros da comunidade. Parece-nos portanto que essa construção assenta tanto na cooperação como na colaboração.


3. Quando falam do papel dos pares referem o incentivo e promoção do debate e da partilha. Então é mesmo necessário um líder para que isso aconteça, ou essa interação acontece partindo dos “pares”?

R: Parece-nos que a interação acontece partindo dos pares e, de facto, deverá acontecer assim para que a comunidade tenha sucesso. Todavia, parece-nos também necessário que haja um ou vários líderes que se responsabilizem por ativar a comunidade sempre que esta se revelar mais “adormecida”, digamos assim. Caso contrário, a comunidade online poderá deixar de funcionar.

4. Os aspetos que referem quanto à supervisão são relevantes. No entanto, penso que não ficou clara a ligação entre a supervisão e a comunidade online. Porque é que ela aparece?

R: A supervisão do trabalho pedagógico entre pares deverá contribuir para o desenvolvimento de capacidades profissionais decorrentes de um processo dialógico e analítico adaptado a cada realidade pedagógica. Sendo um processo que considera o contexto educativo deverá fazer-se na ação, mas também na reflexão acerca da ação, através da crítica e do diálogo construtivos. Assim, esta crítica e este diálogo de que falamos, poderá acontecer também na comunidade online, abrindo mais possibilidades a sugestões.
Pensamos que será neste sentido que a comunidade surge associada à supervisão por pares, ou entre pares, os quais deverão criticar construtivamente, contribuindo para a formação e reflexão dos sujeitos que se encontram no mesmo patamar, com sugestões e práticas que visem a resolução de problemas e o desenvolvimento profissional dos mesmos.


Obrigada pelas críticas e sugestões


Ana Pombeiro e Tânia Veloso


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